Moro precisará prestar contas sobre serviços realizados para consultoria; entenda polêmica

Desde que abandonou a carreira de juiz, Sérgio Moro tem se envolvido em polêmicas que abalaram a sua imagem. A mais recente está ligada ao seu período como consultor e diretor na Alvarez & Martinez, empresa que administra a recuperação judicial da Odebrecht, condenada por Moro na Lava Jato.

Os questionamentos começaram assim que o ex-juiz foi contratado pela Alvarez & Martinez, em novembro de 2020, seis meses depois de sair do Ministério da Justiça do governo Bolsonaro. Em fevereiro de 2021, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas abriu investigação sobre a atuação de Sérgio Moro na empresa, após pedido do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público.

A suspeita é de que Moro possa ter favorecido a Alvarez & Martinez quando ainda atuava na Lava Jato ou de que possa ter fornecido informações privilegiadas depois de contratado.

Em abril do ano passado, a empresa, que é sediada nos Estados Unidos, mas possui filiais em diversos países, informou o TCU que Moro estava atuando como consultor e não mais como diretor-geral, sua função inicial. Em dezembro, o TCU exigiu esclarecimentos sobre os valores que Moro teria recebido ao romper seu contrato com a Alvarez & Martinez, em outubro.

Até o momento, a empresa não forneceu esses valores, nem as remunerações pagas ao longo do contrato. Esta semana, no entanto, o próprio Sérgio Moro disse que vai divulgar os valores na sexta-feira (28), por entender que é seu deve ser “transparente com a população brasileira, como toda pessoa pública deve ser”. O anúncio foi feito em vídeo nas suas redes sociais.

R$ 65 milhões

Na semana passada, o Ministro do TCU Bruno Dantas ordenou o levantamento do sigilo do processo envolvendo Moro e a Alvarez & Marsal. Entre as informações reunidas, destaca-se o faturamento da empresa em recuperações judicias de condenadas na Lavo Jato.

Ao todo, o escritório recebeu cerca de R$ 65,1 milhões nesses processos, o que corresponde a 78% do seu faturamento total desde 2013. A maior quantia veio da recuperação judicial da Odebrecht: R$ 33,2 milhões.

PT faz pressão

O Partido dos Trabalhadores (PT) havia anunciado a intenção de criar uma CPI para investigar a atuação de Moro na consultoria americana, mas desistiu, alegando preferir aguardar as revelações que podem ser feitas através do processo no TCU.

Na próxima quarta-feira (2/2) parlamentares do partido terão uma reunião sobre o caso com o ministro do TCU, Bruno Dantas, e o procurador do MP Lucas Rocha Furtado.

O que dizem Moro e a Alvarez

Moro afirma que sua atuação na Alvarez & Marsal nada tinha a ver com as empresas condenadas na Lava Jato e que prestava consultorias sobre compliance na área de “disputas e investigações”.

Afirmação semelhante foi dada pela contratante em uma nota enviada ao TCU. Confira um trecho:

“Seu contrato foi expresso em impedi-lo de atuar direta e indiretamente no atendimento a clientes que tivessem qualquer envolvimento com a operação Lava Jato ou empresas investigadas por ele ao longo de sua carreira como juiz ou ministro, estando totalmente delimitado a atuar dentro de seu escopo de trabalho em disputas e investigações”

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Amaury Nogueira
Amaury da Silva Nogueira é bacharelando em Letras/Edição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apaixonado pelo universo da escrita, atua há dois anos como redator e realiza pesquisas sobre história da edição no Brasil. Além disso, atualmente pesquisa também sobre direitos e benefícios sociais para agregar conhecimento na redação do portal de notícias FDR.