Salário mínimo de 2022: Valor de R$ 1.192 será suficiente para comprar cesta básica?

Pontos-chave
  • Salário mínimo ganha nova previsão em 2021;
  • Governo anuncia que não irá ter aumento significativo no próximo ano;
  • Cesta básica ganha reajuste de mais de 10%.

Uma nova previsão do salário mínimo é disponibilizada. Com a chegada do fim do ano, a população fica aguardando o reajuste no piso nacional. De acordo com o Ministério da Economia, deverá haver um aumento de R$ 1.100 para R$ 1.192. Ainda assim, o valor não é suficiente considerando o atual cenário de inflação.

Salário mínimo de 2022: Valor de R$ 1.192 será suficiente para comprar cesta básica? (Imagem: FDR)
Salário mínimo de 2022: Valor de R$ 1.192 será suficiente para comprar cesta básica? (Imagem: FDR)

Sustentar uma casa será ainda mais difícil no Brasil de 2022. De acordo com as previsões do próprio ministério da economia o salário mínimo ficará em R$ 1.192.

O valor é quase cinco vezes menor que o suficiente para bancar uma família de quatro pessoas, levando em conta as atuais tarifas da cesta básica.

Previsão do salário mínimo de 2022

Segundo a equipe econômica, é possível que haja um “aumento” de R$ 92. A quantia, no entanto, não irá levar em consideração a atual inflação, contabilizando apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, que atualmente é de aproximadamente 8%.

O principal motivo para não garantir uma vida mais digna a população é que o aumento do piso nacional resulta também na ampliação na folha orçamentária da união. É por meio do salário mínimo que o governo determina os repasses dos benefícios vinculados ao INSS e aos direitos trabalhistas.

Isso implica dizer que a cada R$ 1 acrescentado para o brasileiro, a União passa a ter uma nova despesa de bilhões. Ou seja, aumentar o piso nacional significa aumentar as despesas do governo feral.

Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, o salário mínimo não teve um aumento real. Apesar de pagar mais R$ 92 por cidadão, o valor é inferior as taxações em produtos e serviços.

Atualmente, a cesta básica, por exemplo, chega a custar até R$ 1 mil, o que significa o comprometimento da renda total do cidadão.

Cesta básica mais cara e salário menor

Enquanto a renda não é aumentada, o cidadão permanece pagamento mais caro na hora de fazer feira. Somente em 2021 a cesta básica teve uma alta de cerca de R$ 10, afirmou o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, em entrevista à CNN neste sábado (23).

Ele explicou que o aumento no preço dos produtos se dá mediante o atual clima de instabilidade política e leva em consideração ainda os impactos da pandemia do novo coronavírus. Além da cesta básica, o brasileiro paga mais caro pela energia e pela gasolina, entre outras taxações.

“A inflação de alimentos em 12 meses está em 14,6%, e 16% em itens da cesta básica, e provavelmente vai desacelerar para próximo de 10% no fim do ano, o que é muito alto”, disse Romão.

“Esse alívio pensando em preço de commodities vai acontecer mais evidentemente só no ano que vem. No cenário doméstico, tem a questão do câmbio. Essa depreciação média de 30% ano passado não tem ajudado agora também”, avaliou.

“Neste momento, com o real valendo pouco, isso acaba ampliando nossas exportações e reduzindo a oferta doméstica. Para piorar, os combustíveis não vão poder dar um alívio”, concluiu.

Lista do preço das cestas básicas por estado

De acordo com o balanço de setembro, a região onde tem sido mais caro abastecer a dispensa é em São Paulo. Já o local mais barato e com o menor aumento é em Aracaju. Confira:

  • São Paulo: 673,45;
  • Porto Alegre: 672,39;
  • Florianópolis: 662,85;
  • Rio de Janeiro: 643,06;
  • Vitória: 633,03:
  • Campo Grande: 630,83;
  • Brasília: 617,65;
  • Curitiba: 610,85;
  • Belo Horizonte: 582,61:
  • Goiânia: 574,08:
  • Fortaleza: 552,09:
  • Belém: 532,56:
  • Natal: 493,29:
  • Recife: 489,4;
  • Salvador: 478,86;
  • João Pessoa: 476,63;
  • Aracaju: 454,03.

Os atuais produtos mais caros são: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, legumes (tomate), pão francês, café em pó, frutas (banana), açúcar, banha/óleo e manteiga.

Posicionamento do governo federal

Ciente de que o salário mínimo proposto não é o suficiente no atual cenário de inflação, o governo federal permanece sem se posicionar sobre o assunto. Para o ministro da economia, Paulo Guedes, os preços mais altos fazem parte do processo de desenvolvimento financeiro do país.

Na contrapartida, o Brasil voltou ao mapa da fome e teve as taxas de pobreza e extrema pobreza ampliadas em comparação com os anos anteriores.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.