Privatizar a Petrobras ajuda a diminuir o preço dos combustíveis?

Pontos-chave
  • Pesquisadora afirma que privatização da Petrobras elevará o preço dos combustíveis
  • Novo aumento no preço da gasolina e do diesel já está valendo
  • Petrobras afirma que não conseguirá dar conta de toda a demanda para o mês de novembro

A privatização da Petrobras se tornou um assunto recorrente nos últimos meses. Muito se discute se isso seria ou não benéfico para a população. A pesquisadora do Ineeep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Carla Ferreira, afirmou a CNN Brasil que privatizar a Petrobras pode causar uma piora nos preços dos combustíveis. Entenda.

“A privatização não resolve o problema dos preços dos combustíveis. Pelo contrário, ela, em função da criação de um monopólio privado, pode vir a piorar a situação”, afirmou Carla.

De acordo com a CNN, as ações da Petrobras figuraram entre as mais altas desta segunda, 25, na B3, bolsa de valores brasileira, após a divulgação de que o governo estuda um plano para um novo Projeto de Lei que autorize à União privatizar a companhia.

Porém, também nesta segunda, a Petrobras anunciou um novo reajuste no preço da gasolina A e do diesel A para as distribuidoras. O aumento já está em vigor.

“O Ineep fez um levantamento acompanhando algumas experiências de países que conseguem ter um maior controle dos seus preços internos, não tendo essa volatilidade ou esse movimento de alta muito grande, justamente utilizando suas empresas estatais de petróleo e a sua capacidade de refino”, explicou Carla Ferreira.

“Nessa pressão dos preços internacionais, medidas como o aumento da concorrência não são medidas que têm sido efetivas em alguns países que temos observado”, finalizou.

Desabastecimento de combustíveis em novembro?

Na última semana, a Petrobras afirmou que não conseguirá dar conta de toda a demanda de combustível para o mês de novembro, podendo acontecer um desabastecimento em alguns postos. A companhia disse que aconteceu uma “uma demanda atípica” de pedidos de combustíveis e isto excederá o ritmo de produção da Petrobras.

Esta confirmação acontece após a Associação das Distribuidoras de Combustíveis informar sobre o risco de um desabastecimento nos postos a partir de novembro. A associação disse que a estatal fez “cortes unilaterais em pedidos de distribuição de gasolina e diesel”.

“Para o mês de novembro, a Petrobras recebeu pedidos muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção. Apenas com muita antecedência, a Petrobras conseguiria se programar para atender essa demanda atípica”, explicou a companhia, em nota.

“Na comparação com novembro de 2019, a demanda dos distribuidores por diesel cresceu 20% e por gasolina 10%, representando mais de 100% do mercado brasileiro”, concluiu a Petrobras.

A companhia disse que seu parque de refino está operando com 90% da capacidade em outubro. Este índice é 11% mais alto do que o registrado durante todo primeiro semestre de 2021.

“Nos últimos anos, o mercado brasileiro de diesel foi abastecido tanto por sua produção, quanto por importações realizadas por distribuidoras, terceiros e pela companhia, que garantiram o atendimento integral da demanda doméstica”.

De acordo com a estimativa da Brasilcom, em alguns casos, a recusa de fornecimento ficará acima de 50% da quantidade solicitada pelos postos. Por sua vez, a Petrobras não divulgou qual foi a quantidade pedida para o mês e nem o que deve ser feito para evitar um possível desabastecimento no fornecimento dos combustíveis.

A Petrobras está no foco de pressões por conta do aumento no preço dos combustíveis nos últimos meses. Entre os meses de janeiro e setembro, o preço da gasolina subiu 40%, em média. A justificativa dada para os aumentos foi paridade internacional e os ajustes nos valores do barril de petróleo no mercado.

Petrobras

Petróleo Brasileiro S.A. é uma empresa de capital aberto, cujo acionista majoritário é o Governo do Brasil, sendo, portanto, uma empresa estatal de economia mista.

Com sede no Rio de Janeiro, opera atualmente em 14 países, no segmento de energia, prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e seus derivados.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.