Atenção, pais! Comece a ensinar seu filho a lidar bem com o dinheiro

Já não é de hoje que o mercado vem investindo no nicho de produtos financeiros para crianças e adolescentes. Títulos de capitalização, previdência, contas digitais, contas investimento e até mesmo cartões de crédito dedicados a este público. E diante de tantas ofertas, os pais são cada vez mais desafiados a educar seus filhos para construírem uma relação saudável com o dinheiro.

Atenção, pais! Comece a ensinar seu filho a lidar bem com o dinheiro
Atenção, pais! Comece a ensinar seu filho a lidar bem com o dinheiro (Imagem Instituto dos óculos)

A educação financeira vai muito além de cálculos matemáticos, planilhas e controles financeiros. É necessário abordar a importância de fazer escolhas, estabelecer prioridades, alinhar valores pessoais com o uso do dinheiro, construir crenças e visão de mundo favoráveis e que impulsionam a uma vida saudável.

É indispensável também desenvolver a capacidade de fazer planos para o futuro, bem como a resiliência e a longanimidade.

Você pode ensinar educação financeira para seus filhos a partir do momento que ele desenvolver as habilidades de fala, o que deverá ocorrer por volta dos 3 ou 4 anos de idade.

Nesta etapa é importante ensinar sobre fazer escolhas. Geralmente, a criança vai aprendendo que para conseguir algo é necessário apenas pedir.

E é neste momento que é necessária a intervenção dos pais ao começar a dar opções para que a criança possa escolher. Decida o momento em que você irá fazer isso. É um treinamento que exigirá dos pais constância e paciência.

Quando, por exemplo, forem ao supermercado e a criança começar a pedir biscoitos, chocolates, brinquedinhos, dentre outras coisas, este será um bom momento. Apresente à criança dois itens que ela havia pedido e pergunte qual dos dois ela quer: chocolate ou biscoito? Boneca ou bola?.

Conforme o discernimento da criança vai aumentando, você pode começar a ensiná-la a estabelecer prioridades. Sente-se com seu filho e ajude-o a estabelecer as suas prioridades individuais e também comunique as prioridades da família. Façam uma lista de sonhos e prioridades em conjunto.

A comunicação é algo extremamente importante quando o assunto é finanças. Infelizmente, conversar livremente a respeito de dinheiro ainda é um grande tabu em nossa sociedade. No entanto, se o diálogo sobre esse tema for incentivado desde a infância, cada vez mais estas barreiras na comunicação serão quebradas.

Busquem fazer pequenos planos e apliquem os novos ensinamentos. Voltando ao exemplo do supermercado, antes de sair às compras converse com o seu filho sobre o que será prioridade a ser comprado. Caso queira dar um mimo ao seu filho, pergunte antes qual será a prioridade dele de compra naquele dia.

Quando estiverem comprando, caso o seu filho peça algo que esteja fora da lista de prioridades, não diga que não irá comprar por que não tem dinheiro. Explique que as prioridades foram estabelecidas e que o que ele pediu não é uma prioridade no momento, mas se for muito importante, vocês podem planejar para comprar em uma outra oportunidade. Busquem soluções em conjunto.

Outra coisa importante é que a criança não entende o que é caro ou barato. Mas ela irá entender a partir de exemplos comparativos.

Mostre, por exemplo, que com o dinheiro que se compra uma bicicleta seria possível comprar 3 bonecas e, então, reforce a importância de fazer uma escolha.

Guardando dinheiro

Quando seu filho começar a ficar maiorzinho, por volta de 8 anos, você pode aplicar a técnica dos 3 potes:

Pote 1: Carteira – o dinheiro deste pote, a criança poderá gastar com o que ela quiser.

Pote 2: Porquinho – o dinheiro deste pote, a criança vai juntar para comprar algo que tenha um preço mais caro.

Pote 3: Baú do Tesouro – o dinheiro deste pote, a criança irá começar a fazer a reserva da independência financeira, ou seja, será um dinheiro que ela nunca irá mexer. Ela só irá guardar e investir para usufruir no futuro, quando ela tiver acumulado o suficiente de forma que os juros decorrentes dos investimentos sejam suficientes para cobrir todos os seus custos mensais e ela não dependa mais da renda do seu trabalho para viver.

O tempo é o bem mais precioso nos investimentos. O objetivo é levar a criança a entender que quanto mais tempo ela mantiver aquele dinheiro aplicado, mais rápido ela alcançará a sua independência financeira.

Faça os investimentos junto com a criança. O dinheiro do baú do tesouro poderá ser investido no tesouro direto, em ações, em fundos imobiliários, em previdência privada, etc.

Um ponto fundamental é ensinar para a criança o conceito dos juros. Uma forma fácil da criança aprender o valor que há para ela em não tirar dinheiro do baú do tesouro, é combinar que a cada semana ela vai ganhar mais 1 real.

Desta forma, ela vai conseguir entender que ela terá um benefício em não mexer no dinheiro. Ela vai entender que existem outras formas de fazer dinheiro além do trabalho e que ao investir, ela vai ter cada vez mais dinheiro para ficar dependendo do trabalho por menos tempo.

Priorize o que é mais importante

Educação financeira não se resume a fazer contas. Mas trata-se de escolhas inteligentes e de paciência para alcançar os resultados no futuro. Você investe na educação do seu filho, você investe na sua saúde quando alimenta bem, você investe no seu relacionamento, você investe na sua casa quando você está fazendo uma reforma, você investe no seu crescimento profissional quando faz um curso de capacitação. Tudo na vida é investimento.

Pode-se ensinar para a criança sobre investimentos com analogias fáceis, como por exemplo, ensinando a plantar e acompanhando o crescimento da plantinha até a colheita.

A criança precisa aprender sobre os processos e que os resultados não são alcançados de uma hora para outra. Assim, ela vai entender que o financiamento não é a única forma de comprar um carro, por exemplo. Ela saberá que é possível ir juntando o dinheiro para comprar com tranquilidade.

Por causa dos desenhos, a criança entende o baú do tesouro fica enterrado e quando ele então é aberto, muito tempo depois, a pessoa que o abre fica rica. Use exemplos como o tesouro do pirata ou o tesouro do tio patinhas. Compare, por exemplo, o tio patinhas com o seu madruga que está sempre sem dinheiro para pagar o aluguel. Mostre à criança as duas situações e pergunte em qual ela gostaria de estar no futuro.

Faça simulações com o seu filho. No site do Banco Central do Brasil é possível usar a calculadora do cidadão. Você pode fazer a simulação da aplicação com depósitos regulares e simular, por exemplo, R$ 50,00, a uma taxa mensal de 0,8% ao mês, ao longo de 40 anos, ou seja, 480 meses.

Teste com outros valores. Vejam juntos quanto é possível conquistar mantendo a consistência de juntar todos os meses.

Por fim, ensine como os talentos e habilidades do seu filho são valorosas. É importante ensinar que o valor dele não está em quanto ele tem de dinheiro. Cuidado com as palavras desencorajadoras, nunca diga que ele é burro, que ele não irá conseguir.

Cuidado para não deixar o seu filho achar que o valor dele está na nota que ele tira ou nas coisas que ele faz. O 10 da nota da prova não garante o sucesso pessoal ou financeiro no futuro.

De que adianta a criança tirar 10 na prova, se não sabe se relacionar com o colega, se ele não sabe respeitar o esforço de outras pessoas?.

Educação financeira não é sobre dinheiro, mas sim sobre comportamento. O sucesso financeiro decorre de um conjunto de habilidades que devem ser desenvolvidas com esforço ao longo da vida.

Busquem traçar planos em conjunto para alcançar objetivos mais caros. Mesmo que demore um pouco mais de tempo, não tem problema, pois com paciência e disciplina, esses objetivos poderão ser alcançados.

Os pais são responsáveis por grande parte das crenças e visões de mundo que os filhos carregarão por toda sua vida. Tais crenças podem ser positivas ou negativas e serão criadas a partir do que o filho vê, do que ele ouve e do que ele sente. Cuidado com os exemplos que você dá.

Se você sente que também precisa se educar financeiramente para poder dar exemplos melhores aos seus filhos, não hesite em estudar e fazer tudo o que estiver ao seu alcance.

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Karem Ochsendorf
Formada em Engenharia Elétrica com ênfase em Telecomunicações, e graduanda em Filosofia. Atualmente, trabalha como Educadora Financeira com mais de 10 anos de experiência no mercado. No FDR, possui sua própria coluna com dicas e orientações sobre como lidar com as finanças.
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