Brasil perde posições no ranking de crescimento em 2021; de quem é a culpa?

Pontos-chave
  • Brasil registrou alta de 1,2% do PIB no primeiro trimestre;
  • O país perdeu sete posições na comparação entre os países analisados pela Austin Rating;
  • Economista-chefe cita o atraso na vacinação e restrição fiscal como fatores negativos.

Apesar do crescimento econômico no primeiro trimestre, o Brasil perde posições na comparação internacional. Segundo o ranking de crescimento em 2021, realizado pela Austin Rating, o Brasil perdeu sete posições, caindo para a 19ª colocação entre 50 países.

Brasil perde posições no ranking de crescimento em 2021; de quem é a culpa?
Brasil perde posições no ranking de crescimento em 2021; de quem é a culpa? (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

No levantamento feito no quarto trimestre de 2020, entre os países analisados, o Brasil ocupava a 12ª colocação em crescimento. O resultado recente foi divulgado nesta terça-feira (1º).

O ranking considera o crescimento do primeiro trimestre de 2021 em relação ao quarto trimestre de 2020, descontados os efeitos sazonais.

A Croácia foi o país com o melhor resultado, com alta de 5,8%. Em seguida, aparecem Hong Kong, com 5,4%, e Estônia, com 4,8%. No caso do Brasil, o aumento do PIB no primeiro trimestre foi de 1,2%.

Ao analisar o resultado interno, o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, afirma que o Brasil teve um bom crescimento. Contudo, na perspectiva global, ele entende o país não está “tão bem assim”.

Contudo, o economista-chefe aponta ressalvas, conforme levantado pelo Globo. Agostini alega que alguns países passaram pela segunda onda da pandemia de covid-19 antes do Brasil. Além disso, alguns países também tiveram a vacinação anteriormente.

Segundo ele, “com relação à ajuda do governo que aconteceu no Brasil, em outras nações foi muito melhor”. O economista-chefe argumenta que os demais países contam com uma situação fiscal muito melhor do que a do Brasil.

Fatores para a queda do Brasil no ranking de crescimento em 2021

O economista-chefe da Austin Rating indicou que o Brasil teve um crescimento menor, em comparação a outros países, devido a um conjunto de fatores. O primeiro ponto citado foi o atraso na imunização contra a covid-19 em relação a outras nações.

Agostini destaca que a vacinação é fundamental para a retomada do setor de serviços — o principal da economia brasileira.

O especialista também cita a restrição fiscal presente no Brasil. No primeiro trimestre deste ano, segundo apurado pela Folha, o governo federal interrompeu programas de ajuda à economia, como o auxílio emergencial.

Como consequência, o consumo das famílias foi afetado. Cabe ressaltar que o auxílio foi retomado apenas em abril, no segundo trimestre deste ano.

O economista-chefe destaca que o atraso na vacinação contra a covid-19 como fator negativo para a economia nacional
O economista-chefe destaca que o atraso na vacinação contra a covid-19 como fator negativo para a economia nacional (Imagem: Maksim Goncharenok/Pexels)

Brasil registra crescimento econômico no primeiro trimestre

Mesmo com a queda no ranking internacional, o Brasil teve alta do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia nacional teve alta de 1,2% no primeiro trimestre de 2021 em comparação ao trimestre anterior.

Com o resultado do primeiro trimestre, o PIB retomou ao patamar do quarto trimestre de 2019 — período anterior à pandemia de covid-19. No entanto, o IBGE ressalta que o resultado recente está 3,1% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do Brasil, registrada no primeiro trimestre de 2014.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, mesmo com a segunda onda da pandemia, o PIB teve crescimento. Ela afirma que, diferentemente do ano passado, não houve tantas restrições que impossibilitaram o funcionamento das atividades econômicas no Brasil.

O resultado trimestral foi acima das projeções, segundo apurado pela Folha. Analistas consultados pela agência Bloomberg estimavam alta de 0,8% em relação ao trimestre anterior.

Projeção para o PIB do Brasil

No relatório, Alex Agostini projeta um crescimento de 3,3% para o PIB em 2021 para o país, e de 3% em 2022. Mesmo com um maior potencial de alta para este ano, a consultoria revela alguns fatores para manter as estimativas.

A Austin afirma que ainda há algumas incertezas relacionadas ao Brasil, como possíveis novas altas da taxa Selic nas próximas reuniões.

Também foi apontado, o acirramento da crise hídrica, o processo lento de vacinação contra a covid-19 e forte elevação dos custos de produção — com destaque para as altas recordes dos preços das commodities.

Ainda foi apontado o cenário fiscal ainda fragilizado, e a diminuição dos estímulos monetários nas economias desenvolvidas.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Possui experiência em produção textual e, atualmente, dedica-se à redação do FDR produzindo conteúdo sobre economia.
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