Setor da construção civil sofre forte crise e atinge inscritos no Casa Verde e Amarela

Em decorrência do aumento nos preços dos materiais de construção, as empresas estão suspendendo o lançamento de novos projetos dentro do programa Casa Verde e Amarela, o novo Minha Casa Minha Vida. Segundo as regras, o programa tem um teto para o preço dos imóveis e, por conta disso, as construtoras não conseguem repassar o aumento nos custos e acabam desistindo do projeto.

Setor da construção civil sofre forte crise e atinge inscritos no Casa Verde e Amarela
Setor da construção civil sofre forte crise e atinge inscritos no Casa Verde e Amarela (Imagem FDR)

O grupo 1, antigamente chamado de faixa 1,5, é o mais atingido. O público deste grupo são os mais pobres, com uma renda mensal de até R$2 mil. Justamente essas pessoas são as que sofrem para conseguir moradia sem o subsídio do programa.

“Hoje, fazer um produto no grupo 1 é quase inviável”, afirma o presidente da Direcional Engenharia, Ricardo Ribeiro. “Tem vários projetos que não fazem mais sentido. O incremento dos custos inviabilizou muitos deles”, disse.

A Direcional está readequando os empreendimentos do grupo 1 para que se encaixem no grupo 2, como forma de contornar a situação. O grupo 2 é voltado para famílias que possuem uma renda mensal de R$2 mil a R$4 mil.

Ricardo diz que com essa ação, é possível manter a previsão de lançamentos para este ano, porém, as pessoas mais pobres acabam excluídas do mercado imobiliário. 

A Plano & Plano também está readequando os empreendimentos do grupo 1 para as demais faixas, mas já espera uma queda na velocidade das vendas. As unidades mais baratas vendiam mais rápido. 

“Está praticamente inviável produzir imóveis para famílias com renda de até três salários mínimos. É muito preocupante”, diz o sócio e presidente do conselho da Plano & Plano, Rodrigo Luna.

Em 12 meses, terminados em fevereiro, o INCC (Índice Nacional de Custos da Construção) cresceu 10%. Uma parcela desse crescimento é oriundo da desvalorização do real frente ao dólar, o que deixa mais caro os insumos importados, como metais e resinas utilizados na produção de materiais.

Por conta da pandemia, nos últimos meses, a indústria teve a produção paralisada, o que causou gargalos para o abastecimento. Porém, as construtoras esperavam que esses efeitos já tivessem sido atenuados no começo de 2021, o que não ocorreu.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.