SEM auxílio emergencial comércio começa a sentir reflexos da crise

Pontos-chave
  • O fim do pagamento do auxílio emergencial vai trazer impactos para as vendas dos comércios;
  • Assim como o cancelamento do Carnaval, que é uma das datas que mais convertem vendas;
  • O fim do pagamento ainda impactou a indústria.

Após o fim do pagamento do auxílio emergencial as vendas dos supermercados e lojas de material de construção em janeiro, influenciaram um saque recorde de recursos da caderneta de poupança. O benefício começou a ser pago no começo do mês de abril para os trabalhadores informais e desempregados para aliviar os efeitos da pandemia na renda, e injetou mais de R$ 290 bilhões na economia.

SEM auxílio emergencial comércio começa a sentir reflexos da crise
SEM auxílio emergencial comércio começa a sentir reflexos da crise (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os analistas preveem que no primeiro trimestre a queda no varejo e o freio na atividade econômica do país, depois da finalização do pagamento.

Qual foi o impacto do fim do auxílio emergencial 

No mês de janeiro, os saques realizados na caderneta de poupança superaram os depósitos em R$ 18,2 bilhões. O mês costuma ser de resgates na poupança, para a realização do pagamento das despesas de início do ano como IPVA e IPTU.

Porém, neste ano, a perda foi recorde, a maior já registrada desde o ano de 1995, quando começou a série histórica, como reflexo do fim do pagamento do auxílio.

De acordo com o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes disse que “Devemos ter um trimestre fraco, até mesmo com queda nas vendas. Além da falta do auxílio, temos um cenário de inflação alta, regressão na reabertura do comércio em algumas cidades e um alto número de desempregados”.

Além disso, ele acrescentou que o cancelamento do carnaval, uma das maiores datas para o comércio, deve agravar esse cenário ainda mais.

“O carnaval do ano passado movimentou cerca de R$ 8 bilhões. Este ano, teremos um pequeno movimento de turismo nacional, mas não teremos turistas estrangeiros vindo para cá, nem brasileiros indo para fora e gastando em agências de viagem. Vamos notar um menor consumo de bebidas e outros produtos vendidos nesta época, além de redução no comércio de fantasias.”, disse.

SEM auxílio emergencial comércio começa a sentir reflexos da crise
SEM auxílio emergencial comércio começa a sentir reflexos da crise (Imagem: Ministério da Cidadania)

Impacto na indústria

Os comércios estão tentando driblar o freio nas vendas em negociações com os fornecedores, principalmente os supermercados.

A indústria também sentiu o impacto do fim do pagamento. Após divulgar o seu balanço anual de 2020, a Unilever, multinacional de higiene, limpeza e alimentos, informou que seu resultado foi afetado no quarto trimestre pela queda do auxílio.

Após a redução do benefício pela metade, em setembro, o volume dos recursos injetados pelo programa na economia, superou R$ 45 bilhões mensais em julho e agosto, caiu para R$ 17 bilhões em dezembro.

O presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Fábio Queiroz disse que “Sem o auxílio, a melhor estratégia é ampliar o sortimento de produtos. Se o arroz está mais caro, temos que ter bom sortimento de macarrão, por exemplo”.

A rede de supermercados que mais prevê impacto ao longo deste mês foi o Princesa. O atacadista Assaí, espera que as compras do atacado passem a ser mais buscadas por quem está querendo economizar e por isso a marca está mantendo o seu plano de expansão, no qual serão inauguradas até 28 lojas por todo o país.

Dentre os distribuidores, a avaliação é de que seus clientes, nas redes varejistas, estão apreensivos.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), Leonardo Miguel Severini comentou um pouco sobre o impacto que aconteceu em janeiro.

“Sentimos um pouco de impacto em janeiro, apesar de não ser tão claro em função das férias coletivas que a indústria costuma dar. Há uma preocupação das empresas em fazer caixa para um próximo momento emergencial que possamos vivenciar por conta da pandemia”, disse.

Produtos em menor quantidade

Aconteceram mudanças nos produtos que são mais comprados nos mercados já está sendo sentida na Bolsa de Gêneros Alimentícios, fornecedora do setor. 

De acordo com o presidente da entidade, Margon Vaz, desde o mês outubro aconteceu uma redução de 40% no comércio de leite em pó e queijos.

Com o fim do auxílio, o setor acredita que o consumidor dará preferência por comprar produtos mais essenciais, como arroz e feijão.”, disse.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.