Como pobres terão que lidar com FIM do auxílio emergencial? Entenda impactos

Pontos-chave
  • O auxílio emergencial aliviou as finanças de muitos brasileiros;
  • As regiões mais beneficiadas foram Norte e Nordeste;
  • Com o fim do pagamento essas pessoas vão ter de encontrar novas formas para aumentar sua renda.

Após o fim do auxílio emergencial, a vida de diversos brasileiros vai sofrer mudanças, assim como a economia do país, que acabou tendo uma injeção com esses pagamentos. A última parcela foi creditada no dia 29 de dezembro, e os saques ainda serão feitos ao longo do mês de janeiro.

Como pobres terão que lidar com FIM do auxílio emergencial? Entenda impactos
Como pobres terão que lidar com FIM do auxílio emergencial? Entenda impactos (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro deixou claro que o Brasil não possuí recursos o suficiente para que o pagamento do benefício seja estendido. Segundo os economistas, não há um acordo com relação a prorrogação e os critérios para isso.

Alguns se preocupam com a questão social e outros estão preocupados com as contas públicas que já estão deterioradas.

Aqueles que dependeram do benefício para se sustentar ou melhorar a vida com o suporte na renda, começaram o ano com insegurança. Foram cerca de 67,9 milhões de beneficiários, 4 em cada 10 brasileiros em idade de trabalhar.

Nestes nove meses, foram pagos R$ 292,9 bilhões. De acordo com os dados da Caixa, com o fim do pagamento deixam de ser injetados na economia dos estados R$ 32,4 bilhões por mês.

Apesar disso, os efeitos do dia a dia nas famílias e negócios, principalmente o comércio e serviços, vão levar um tempo para aparecer nas estatísticas, porém aqueles que acompanham os indicadores sociais, a perspectiva não é boa.

Como pobres terão que lidar com FIM do auxílio emergencial? Entenda impactos
Como pobres terão que lidar com FIM do auxílio emergencial? Entenda impactos(Imagem: Reprodução/Google)

Qual região mais teve ajuda com o auxílio?

O auxílio foi importante principalmente para os estados da região Norte e Nordeste.

“Essas regiões já vinham numa situação econômica mais frágil antes da pandemia, com desemprego alto e muita informalidade”, afirma. “Sem um plano de transição para o fim do auxílio, é muito provável que as crises sociais também se agravem.”

Ao todo 43% dos recursos, ou seja, R$125 bilhões foram destinados para o Norte e Nordeste. 

Segundo Roberta de Moraes Machado, economista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), essa distribuição do auxílio teve um impacto enorme nas regiões.

“São economias menos desenvolvidas, com maior taxa de desalento ou desocupados, atividades baseadas essencialmente na informalidade e na baixa complexidade”, diz.

As primeiras cinco parcelas do auxílio impactaram sobre a geração de riqueza dessa parte do país.

Sendo assim, contribuíram com cerca de uma alta de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos estados do Norte e Nordeste, segundo o estudo dos economistas Écio Costa, da UFPE, e Marcelo Freire, da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

No município de Santarém Novo, no Pará, os R$ 13 milhões pagos nos cinco primeiros meses responderam por 27,2% do PIB municipal pelas projeções dos pesquisadores.

Freira disse que já antecipando o fim do auxílio,algumas famílias se prepararam e pouparam,porém a tendência é que se o emprego não reagir mais rápido, o consumo caia em toda parte do país a partir do mês de fevereiro.

“Estamos falando de queda na transferência de renda aos mais pobres, o que consequentemente reduz consumo, afetando o comércio e o setor de serviços”, diz. “Só se tiver retomada da empregabilidade isso pode ser amenizado.”

A região Norte cerca de 6,9 milhões de pessoas receberam o benefício, 2,6 milhões já eram do Bolsa Família. No Nordeste, de 21,9 milhões de beneficiários do auxílio emergencial, 10 milhões estavam no programa que atende famílias em extrema pobreza. 

Segundo a economista Diana Gonzaga, que defende a necessidade de o governo criar uma transição entre o auxílio e outro benefício, com um valor menor, colocando critérios de concessão mais seletivos, porém que amparem os brasileiros enquanto a pandemia não acabar.

Além disso, ela afirma que os sinais pequenos de melhoras nos índices econômicos, como a criação de vagas formais ou aumento da população ocupada, não chegaram às regiões Norte e Nordeste. Cerca de 70% dos empregos que foram criados até o mês de novembro estão no Sul e Sudeste.

Nos estados do Sudeste, a situação dos empregos ainda é incerta para muitas pessoas, cerca de 38,44% do total que é pago por meio do auxílio emergencial R$112,6 bilhões, vão deixar de receber cerca de 26,4 milhões de brasileiros de baixa renda.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.