Pós eleições 2020: O que os governos terão que lidar na economia a partir de 2021?

As eleições municiais foram definitivamente encerradas neste domingo, 29, e agora os novos prefeitos tem grandes desafios para enfrentar. Entre eles, a pandemia que ainda está forte e o fim do auxilio federal para os municípios. Será preciso cautela para manter as receitas das prefeituras no próximo ano.

Pós eleições 2020: O que os governos terão que lidar na economia a partir de 2021?
Pós eleições 2020: O que os governos terão que lidar na economia a partir de 2021? (Imagem Google)

De acordo com uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), as capitais receberam em 2020 mais do que o necessário para contornar os problemas causados pela crise e o fechamento da economia e muitos prefeitos viram o caixa da cidade ficar mais recheado.

Porém, com o fim desta ajuda, as cidades vão voltar a depender muito mais da recuperação econômica que segue afetada pela possível segunda onda da Covid-19.

Somados, os recursos repassados pelos estados e pela União às prefeituras de todas as capitais (com excessão de Brasília) atingiram R$60,1 bilhões entre os meses de janeiro e agosto, um aumento de 14% na comparação com 2019, já com o desconto da inflação.

Em paralelo, o dinheiro arrecadado de tributos diminuiu 2% representando R$52,6 bilhões. Com isso, as cidades tiveram 6% a mais em suas receitas.

No volume de transferências esta embutida a parcela da arrecadação de impostos estaduais como ICMS e IPVA repassada para as prefeituras.

Porém o crescimento visto neste ano foi devido primordialmente aos programas federais, de acordo com o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV Matheus Rosa, autor da pesquisa.

As cidades também receberam R$23 bilhões do Tesouro Nacional para amenizar os impactos causados pela pandemia e ainda valores de programas como o de recomposição de perdas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Avanço nos serviços permanecem incertos

Mesmo com o saldo negativo no acumulado anual, a arrecadação de impostos nas capitas vem registrando crescimento desde julho, mas nada está mutirão concreto, diz Matheus.

O que mais vem preocupando é a recuperação do setor de serviços, já que o ISS (Imposto que recai no segmento) é o tributo mais importante dos municípios.

“Diferentemente da produção industrial e do varejo, que estão com recuperação mais próxima do V (retomada rápida depois de brusca queda), os serviços ainda estão longe do pré-crise, com queda acumulada de 7% em 12 meses. Mesmo assim, a atividade nesse setor tem se recuperado a cada mês. Mas, para traçar cenários, caímos na questão da segunda onda da Covid-19”, explica Matheus.

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Paulo Amorim
Paulo Henrique Oliveira é formado em Jornalismo pela Universidade Mogi das Cruzes e em Rádio e TV pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Atua como redator do portal FDR, onde já cumula vasta experiência e pesquisas, produzindo matérias sobre economia, finanças e investimentos.