Pandemia do novo coronavírus vem gerando impactos educacionais desastrosos. Desde o início do ano, com a chegada do covid-19, os centros de estudo precisaram fechar suas portas. Como solução alternativa, deu-se início a realização de atividades remotas, no entanto, para aqueles que estão na base da pirâmide, as condições não são as mesmas. Ainda sob esse cenário de desigualdade, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será mantido, causando um impacto ainda maior na vida dos jovens mais pobres.   

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Enem 2020 marca desigualdade mais forte entre os candidatos; entenda o motivo (Imagem: Google)
Enem 2020 marca desigualdade mais forte entre os candidatos; entenda o motivo (Imagem: Google)
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Mesmo com um cenário de instabilidade econômica, crise de saúde pública e desigualdade ainda mais acirrada, o Ministério da Educação (MEC) optou por manter a realização do Enem.

As provas serão aplicadas no mês de janeiro e contarão com o mesmo nível de dificuldade das últimas edições. Dessa forma, cientistas e representantes acadêmicos afirmam que a seleção terá um impacto a longo prazo nas Universidades, tendo em vista que reforçará sistemas de classes já presentes atualmente.  

“O Enem já era jogo de cartas marcadas. Se não tivesse cotas, seria um desastre completo, pois privilegiaria o estudante que tem maior nível socioeconômico e condição de pagar uma escola particular”, afirma o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) José Francisco Soares, integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE).  

Inscrições mantidas 

Já foram feitas mais de 5,8 milhões de inscrições para a edição de 2020. Somente em Minas Gerais, foram contabilizadas cerca de 577.227 solicitações.

O número, de modo geral, diz respeito a alunos de classe média alta, tendo em vista que grande parte dos estudantes da rede pública estão sem suporte estudantil desde o mês de março.  

Soares, pós-doutor em educação, reafirma que a realização do exame funcionará em um esquema de exclusão e seleção de nichos.

“Do ponto de vista do direito, temos uma nova exclusão. Este ano (no Enem), haverá dois alunos da escola pública. Os estudantes da rede pública não estão tendo o mesmo acesso que os da particular. E a diferença entre essas duas redes vai aumentar muito”, pontuou. 

É válido ressaltar que, para quem é da rede privada, há ainda o suporte de atividades extras como cursinhos e demais meios de estudos que podem otimizar a entrada nas universidades.   

“Ao seguir com uma avaliação nacional em janeiro, retirou-se a possibilidade de tentar equilibrar o que foi oferecido para os alunos. Havia a possibilidade de a prova ser aplicada em maio, o que daria a probabilidade aos alunos do ensino público de tentarem algum resgate de conteúdo no próximo ano. Nesse sentido, uma prova mais simples poderá acarretar notas de corte mais altas e não está em linha com o que fora apresentado até o momento (a estrutura do Enem),” avalia a diretora geral do Coleguium Rede de Ensino, Daniele Passagli. 

Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.