Seleção por concurso público tem QUEDA drástica em 2020

Contratações no serviço público seguem ameaçadas. De acordo com um levantamento realizado pelo Painel Estatístico de Pessoal (PEP), esse ano vem registrando o menor número de convocações de concurso público desde 2011. Entre os meses de janeiro e julho, foram chamados novos 32.040 profissionais, representando uma queda de quase 22% em comparação ao ano de 2019. Um dos principais motivos para esse reajuste são os cortes orçamentários do governo.   

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Seleção por concurso público tem QUEDA drástica em 2020 (Imagem: Google)
Seleção por concurso público tem QUEDA drástica em 2020 (Imagem: Google)
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Desde que assumiu o cargo de ministro da economia, Paulo Guedes vem se posicionando contra a ampliação de contratações de servidores através de concurso público.

Por meio da reforma administrativa, o gestor defende que as leis de aceitação e plano de carreira desse grupo sejam modificadas para minimizar os impactos fiscais nos cofres da União.  

Com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, Guedes vem elaborando uma proposta que deverá modificar a validação de todos os próximos editais de concursos.

Ele sugere, entre outras coisas, a redução de salários e cargos, reajuste dos planos de progressão e corte em abonos como alimentação, moradia, férias, etc.  

Ameaças da reforma administrativa  

João Domingos Gomes dos Santos, presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), explicou que o quantitativo de funcionários públicos vem caindo há cerca de uma década.

Ainda no governo Dilma, houve um reajuste de quase 45%, deixando de ser convocados 55 mil para 30,4 mil novos profissionais. No entanto, ele acredita que a validação da reforma poderá resultar em um fim drástico para os planos de carreira.  

“A reforma administrativa liquida o que já é pouco. A faixa etária média dos servidores brasileiros é bastante avançada e muitos deles estão a ponto de se aposentar. Se o projeto é reduzir a contratação desses profissionais, a tendência é que um dia a gente chegue ao chamado ‘estado nenhum. O servidor é prejudicado duas vezes: perde o emprego e o acesso a serviços públicos de qualidade como cidadão”, disse.  

Em 2011, menor valor da história, o Brasil contou com a aceitação de 30.476 servidores. Para os próximos anos, a expectativa é que essa quantia baixe aproximadamente pela metade.

O texto da reforma ainda está em processo de votação e precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. 

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.