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Projeções do Fundo Monetário Internacional apontam uma retração de até 5% do PIB em  2020. Caso o cenário seja confirmado, a crise econômica atual entrará para história como uma das mais graves.

Brasil caminha para maior crise econômica da história; a culpa é só do coronavírus? | OPINIÃO
Brasil caminha para maior crise econômica da história; a culpa é só do coronavírus? | OPINIÃO
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O Brasil não é o único, muitos países ao redor do mundo também se preparam para um ano difícil.  Por outro lado, muitos fatores da nossa economia acabaram permitindo um impacto muito maior no nosso país se comprado com outros emergentes.

O peso da informalidade

Desde o início da epidemia esta coluna deixou claro quem serão os mais impactados pela crise atual: os trabalhadores informais.

Além de estarem em grande parte impedidos de realizar suas funções, a maioria não conta com nenhum mecanismo de proteção social para esse tipo de situação.

Mesmo com o número de MEIs formalizados crescendo, o procedimento on-line ainda não é acessível para grande parte da população.

No final de 2019, 41% de toda a população economicamente ativa estava na informalidade segundo o IBGE.

Isso representa quase metade da mão de obra brasileiras e mostra como a nossa economia pode ser frágil em relação a crises sistêmicas.

Embora o trabalho informal seja a principal fonte de renda de milhões da família, ele também é o primeiro a ser afetado em grande crises.

Com uma série de proteção ao trabalho, os funcionários CLT demoram um pouco mais para serem afetados, já que as empresas que quiserem demitir precisam pagar uma série de direitos.

De maneira geral, o alto índice de informalidade no Brasil facilita o aumento do desemprego durante esse tipo de crise, já que é muito fácil que um trabalhador informal seja dispensado do que um registrado, que mesmo demitido ainda receberia seus direitos.

Dependência das exportações

Quando falamos de um crescimento ou queda do PIB, significa um movimento de toda a economia. O cálculo do PIB compreende todos os setores econômicos, como:

  • Consumo das famílias
  • Gastos do governo
  • Investimento
  • Balança comercial (diferença entre exportações e importações)

Assim uma queda de 5% no produto representa menos consumo, menos investimentos, menos empregos etc.

A crise afetou de maneira mais direta o consumos das famílias que vão pensar duas vezes antes de comprar qualquer coisa daqui para frente.

A instabilidade política e vários posicionamentos do governo federal prejudicam o investimento externo, como está sendo visto com a fuga de capital estrangeiro da bolsa.

Os gastos do governo também precisarão ser comedidos para compensar o grande déficit fiscal deste ano, fruto não só dos gastos sociais, mas também do recorde na distribuições de emendas parlamentares desde 2019.

Assim o único setor que ajuda a compensar o cenário negativos são as exportações, que com o dólar valorizado ganham ainda mais força no PIB.

Mesmo assim, muitos países podem passar a cobrar mais impostos sobre as importações, justamente para favorecer a recuperação de seus mercados internos. Esse tipo de medida preocupa não só o Brasil, mas muitos outros países fornecedores de matérias primas.

Crise após crise

Em 2019 o Brasil parecia se recuperar de sua última crise desde 2014. Embora o investimento e outros indicadores estivessem favoráveis, o desemprego ainda não caminhava para o pleno emprego.

O que pode piorar ainda mais em 2020, com a redução de postos de trabalho e o fechamento de empresas. Setores públicos e privados, parecem ter dificuldades em criar estratégias que aumentem o número de empregos.

Mesmo antes da atual crise o Brasil já sofria com um grande número de desempregados e pior ainda, os em situação de desalento.

A recuperação da crise econômica dos últimos anos aconteceu às custas de um grande processo de desinvestimento social, em áreas como educação, saúde, ciência e previdência.

Embora 2019 tenha sido um ótimo ano para a bolsa de investimentos, esse crescimento não chegou à população mais pobre.

Infelizmente este ano trouxe ainda mais um problema a ser resolvido e que pode prejudicar ainda mais o nosso povo. Ainda assim, boa parte das políticas públicas continuam favorecendo as grandes empresas e setores financeiros, enquanto aqueles que mais precisam recebem apenas o mínimo.

COMENTÁRIOS

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.