Alimentos da cesta básica aumentam valor e consumidores se preocupam

Crise do coronavírus começa a interferir no preço dos alimentos. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) mostrou que o valor da cesta básica sofreu um reajuste de 2% a mais, apenas entre 23 de março e 22 de abril. O principal motivo do encarecimento está associado ao isolamento social do covid-19, que vem paralisando os serviços em todo o país desde o começo de março.   

Alimentos que compõem a cesta básica sobem valor e consumidores se preocupam (Imagem: Reprodução - Google)
Alimentos da cesta básica sobem valor e consumidores se preocupam (Imagem: Reprodução – Google)

De acordo com os dados contabilizados, entre os dias 8 de fevereiro e 7 de março, antes do início oficial da quarentena determinada pela Organização Mundial de Saúde, o valor dos produtos da cesta básica estavam registrando um acréscimo de apenas 0,06%.  

No entanto, com o agravamento da situação, o IBGE contabilizou um aumento de 2,46%. Entre os produtos mais caros está o feijão carioca, que teve uma elevação de 8,6%. A batata inglesa vem liderando o pódio, com um valor 13,68% mais caro. O leite foi modificado em 7,55%, o arroz em 2,77% e o ovo em 6,57%.  

Pesquisas apontam motivos no acréscimo na cesta básica 

Dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FGV IBRE, mostra que o isolamento faz com que as pessoas passem a aumentar suas listas de férias.

Com a proibição de restaurantes e os riscos dos serviços de entrega, cozinhar se tornou a opção mais barata ao longo da quarentena. É o que explica o coordenador do IPC, André Braz: 

“As famílias passaram a fazer todas as refeições em casa – café, almoço e janta. E pedir comida em restaurante custa mais caro. Então, a melhor opção é comprar no mercado, mesmo que se pague um pouco mais nesse momento”, pontuou. 

Além do aumento no consumo gerado pela necessidade do isolamento social, outro fator que vem contribuindo consideravelmente para a elevação dos preços da cesta básica é o custo do dólar.

Nas últimas semanas, a moeda vem apresentando as maiores altas da história, fazendo com que a importação e exportação dos alimentos tornem-se mais caras e modifiquem suas taxações nas prateleiras dos supermercados.  

“Tivemos uma safra de feijão menos expressiva. Por isso os preços avançaram tanto. Já os ovos, que já haviam subido 7,21%, continuaram subindo 6,57%, pois há um aumento do consumo desse item no período da quaresma. A desvalorização cambial também colaborou, pois atua sobre o preço das commodities. Se o trigo fica mais caro, por exemplo, aumenta o preço dos derivados como o pão francês“, analisou o coordenador. 

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.