Desigualdade: saneamento para mães negras é menor do que para brancas

No próximo domingo (8), se é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Trata-se de uma data que tem como objetivo propor ações de conscientização sobre os espaços que o feminino ocupa na sociedade. Segundo um levantamento do IBGE, no país há cerca de 11,4 milhões de famílias formadas por mães solteiras, sendo 7,4 milhões negras. Os números puderam mostrar que, além de haver uma desigualdade de gênero, as mulheres negras encontram-se em posição inferior as brancas.

Desigualdade: saneamento para mães negras é menor do que para brancas (Imagem: Reprodução - Google)
Desigualdade: saneamento para mães negras é menor do que para brancas (Imagem: Reprodução – Google)
publicidade

De acordo com o levantamento, as casas ocupadas por mulheres negras apresentam os piores indicadores de saneamento básico. Cerca de 40% desses lares não têm acesso a direitos básicos, como rede de esgoto, 8,8% não usufruem de coleta de lixo e 13,95% não recebem abastecimento de água.

Já no caso de famílias com mulheres brancas, mesmo as que estão em situação de vulnerabilidade social, as estatísticas são diferentes. 27,7% não têm acesso a rede de esgoto. 3,7% não conta com coleta de lixo e 9,4% não recebe abastecimento de água.

Leia também: Salário maternidade de 108 mil mulheres ficam presos na fila do INSS

Os dados também mostraram que há maiores chances das negras dividirem mais espaços em uma mesma casa, cerca de 11,9% do que de as brancas que ficaram entre 7,7%. Nesse caso, pode-se dizer que um único quarto é ocupado por três negras, enquanto recebe uma única branca.

Outro índice perceptível foi que a maioria das mulheres negras não têm máquina de lavar em casa. Além disso, percebeu-se a ausência de outros eletrodomésticos básicos, em comparação com os lares brancos. Segundo o IBGE, “a população preta ou parda, em especial as mulheres, tem maior carga de trabalho doméstico, como a lavagem de roupa, entre outros trabalhos não remunerados”.

Desigualdade profissional

Quanto ao mercado de trabalho, o estudo pode mostrar que as mulheres negras são as que recebem o menor salário. A ordem de pagamentos é definida da seguinte forma: homens brancos, mulheres brancas, homens negros e por fim mulheres negras. Tal estatística comprova que a categoria ocupa o menor rendimento mensal do país.

Leia também: Prova de vida do INSS é obrigatória em quais casos? Entenda!

Segundo o IBGE, o ganho salarial é de em média R$ 1.394 por mês, ficando inclusive abaixo do salário mínimo de R$ 1.045. As mulheres brancas recebem cerca de 70% a mais, totalizando um valor de R$ 2.379.

“Esse quesito é fundamental na medida em que compõe importante fonte de renda para a aquisição de bens e serviços e para o padrão de consumo alcançado pelos indivíduos e suas famílias”, questiona o IBGE.

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.