Um relatório divulgado pelo Tesouro Nacional, fez com que o governo federal fizesse uma previsão de que os gastos com abono salarial irão crescer até o ano de 2030. A expectativa é que o orçamento aumente em até 41,6%. Enquanto isso, a projeção para o seguro desemprego é de 50% para o mesmo ano.

Governo avalia crescimento do abono salarial em 4,6% até 2030 
Governo avalia crescimento do abono salarial em 4,6% até 2030 

O abono salarial é um benefício que funciona como um 14º salário pago a trabalhadores de baixa renda. Atualmente, ele é pago a quem recebe, em média, até dois salários mínimos, ou seja, R$ 1.996.

A proposta do governo sobre alterar as regras de concessão do abono salarial foi derrubada pelo Senado Federal, a ideia era limitar o público beneficiado com um renda menor que dois salários, como é hoje.

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A partir da nova estimativa, o governo continua apontando que o melhor a ser feito é o direcionamento mais eficaz desse dinheiro, já que isso irá pressionar o teto de gastos.

No ano passado, o governo gastou com abono salarial R$17,2 bilhões e esse valor pode chegar a R$38 bilhões em 2030, segundo as projeções feitas pelo Tesouro Nacional usando as regras atuais.

Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse que os mais ricos se beneficiam mais desse direito, segundo o estudo, já que, segundo o texto, entre 1997 e 2017, os 30% mais pobres viram sua fatia no benefício total cair de 24% para 17%.

“O filho de bilionário que esteja no primeiro emprego pode ter direito ao abono” disse. Almeida, defende que o abono seja pago apenas a uma parte da população, aos que recebem Bolsa Família, que é focado em combater à pobreza no país.

O secretário também afirmou que o aumento das despesas com seguro-desemprego não quer dizer necessariamente que há mais desempregados. “Quanto maior o nível de emprego, mais pessoas são demitidas a cada mês, gerando uma despesa pró-cíclica, ou seja, o governo tende a gastar mais com o Seguro-Desemprego justamente quando a taxa de desemprego é menor”, concluiu.

Esse estudo surge no momento em que o governo editou uma medida provisória (MP), no qual o seguro-desemprego ganha uma taxa, ou seja, o trabalhador que recebe o benefício passará a pagar até 8,14% do valor para o INSS.

Essa medida foi proposta como compensação ao chamado emprego Verde-Amarelo, um incentivo com redução de impostos para contratação de jovens no país.

Jheniffer Freitas é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). É redatora do portal FDR, produzindo pautas sobre economia popular e finanças diariamente.