No Brasil em 2026, adquirir um carro popular zero-quilômetro se tornou um desafio quase inalcançável para quem recebe apenas o salário mínimo.
Atualmente, com os preços dos modelos mais baratos acima de R$ 77 mil e uma renda que cresce de forma limitada, a conta simplesmente não fecha.
O acesso ao automóvel, antes considerado um passo natural para mobilidade e inclusão social, também passou a evidenciar, de forma clara, o enfraquecimento do poder de compra da população.
Preço dos carros populares hoje
Modelos mais acessíveis no mercado
Hoje, os carros populares mais baratos disponíveis no Brasil são versões básicas de compactos. Entre os principais, é possível destacar:
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Fiat Mobi Like 1.0 — cerca de R$ 77 000 a R$ 80 000
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Renault Kwid Zen 1.0 — cerca de R$ 78 000 a R$ 80 000
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Citroën C3 Live 1.0 — cerca de R$ 80 000 a R$ 82 000
Esses valores consideram configurações sem opcionais, com apenas os itens essenciais de segurança e conforto.
No entanto, versões com equipamentos adicionais ultrapassam facilmente os R$ 90 000, ampliando ainda mais a distância entre renda e preço final.
Comparação com o passado
Há cerca de dez anos, em 2015, o carro mais barato do país podia custar aproximadamente R$ 27 mil. Naquele período, a relação entre preço e salário era consideravelmente mais equilibrada.
Hoje, entretanto, esse mesmo patamar de modelo básico supera o triplo desse valor, o que demonstra que os preços dos veículos cresceram muito acima da evolução salarial.
Quanto tempo de trabalho é necessário
Cálculo com base no salário mínimo
Ao considerar o salário mínimo vigente e os valores dos carros mais baratos, o trabalhador precisaria juntar cerca de 52 a 53 salários mínimos para comprar um veículo zero-quilômetro. Em outras palavras, isso representa:
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Mais de 4 anos de trabalho integral
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Sem gastar absolutamente nada com despesas básicas
Naturalmente, esse cenário é inviável. Afinal, ninguém consegue comprometer 100% da renda por tanto tempo sem comprometer necessidades essenciais.
Como resultado, a diferença entre o ritmo de alta dos carros e o crescimento dos salários revela um problema estrutural no Brasil.
Além disso, o automóvel, frequentemente associado à ampliação de oportunidades profissionais e qualidade de vida, passa a ser um privilégio restrito a uma parcela menor da população.
Em síntese, comprar um carro popular zero-quilômetro em 2026 exige um esforço financeiro desproporcional para quem vive do salário mínimo.
A necessidade de mais de 50 salários mínimos evidencia, portanto, um descompasso profundo entre o mercado automotivo e a realidade econômica dos brasileiros.
Assim, o automóvel deixa de ser apenas um bem de consumo e passa a simbolizar, cada vez mais, as desigualdades de acesso e mobilidade no país.





