Nem vírus, nem gripe aviária. A nova epidemia que preocupa especialistas no Brasil tem origem digital e financeira.
Isso porque, o crescimento acelerado das apostas online, especialmente as “bets”, já apresenta reflexos diretos na saúde mental da população. E vai além, uma vez que pode pressionar o Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos.
Pesquisadores, médicos e gestores públicos alertam que o problema deixou de ser apenas econômico e passou a ser uma questão de saúde pública.
O avanço silencioso das apostas no Brasil
Nos últimos anos, plataformas de apostas esportivas e jogos online se popularizaram rapidamente.
O acesso fácil pelo celular, a promessa de ganhos rápidos e o marketing agressivo criaram um ambiente propício ao consumo contínuo.
Estudos recentes indicam que milhões de brasileiros já apresentam comportamento de risco ao apostar, com parte deles desenvolvendo sintomas compatíveis com transtorno do jogo.
Esse quadro é marcado, sobretudo, pela perda de controle, insistência mesmo após prejuízos e impacto direto na vida pessoal e profissional.
Diferente de outras epidemias, essa avança de forma silenciosa, sem sintomas físicos imediatos, mas com efeitos progressivos.
Saúde mental em alerta e pressão sobre o SUS
O aumento dos casos de dependência em apostas se relaciona diretamente com o crescimento de atendimentos por:
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Depressão
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Transtornos do impulso
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Crises emocionais associadas a endividamento
Profissionais de saúde já relatam maior demanda por acompanhamento psicológico e psiquiátrico na rede pública.
Em alguns casos, trabalhadores afastados por transtornos ligados ao jogo compulsivo passaram a receber benefícios previdenciários, ampliando o custo indireto para o Estado.
Especialistas alertam que, sem prevenção, o SUS pode enfrentar uma sobrecarga semelhante à observada em outras crises de saúde mental.
Por que o risco é comparado a uma epidemia?
O termo “epidemia” não é usado de forma literal, mas simbólica. Até o momento, ele reflete três fatores centrais:
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Crescimento rápido do número de pessoas afetadas
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Impacto coletivo, não restrito ao indivíduo
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Pressão sobre sistemas públicos de saúde e assistência
Assim como ocorreu com outras crises, a ausência de políticas preventivas pode agravar o cenário nos próximos anos.
O que o poder público já discute
Diante do avanço do problema, o governo passou a debater medidas como:
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Limitação de publicidade de apostas
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Ferramentas de autoexclusão para usuários
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Monitoramento de padrões de risco
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Ampliação do atendimento em saúde mental pelo SUS
De todo modo, especialistas avaliam que a resposta precisa ser mais rápida e integrada.
A explosão das apostas online coloca o Brasil diante de um novo desafio coletivo. Sem vírus ou contágio físico, essa epidemia avança pelo comportamento e pelo ambiente digital.
Se não houver prevenção, informação e cuidado, o custo social e o impacto sobre o SUS podem ser profundos e duradouros.





