O chamado golpe do falso advogado está entre os crimes de engenharia social mais comuns e lucrativos no Brasil. Diferente do que muitos imaginam, os criminosos não agem por acaso. Eles realizam uma verdadeira investigação prévia, utilizando dados públicos, vazamentos e redes sociais para construir abordagens altamente convincentes.
Esse tipo de fraude tem como alvo principal pessoas que aguardam valores judiciais, como RPVs, precatórios ou indenizações, explorando a expectativa financeira e o desconhecimento sobre procedimentos legais.
Como os golpistas coletam informações das vítimas
Monitoramento de Diários Oficiais e sistemas judiciais
A principal fonte dos criminosos são os Diários Oficiais e sistemas da Justiça. Afinal, como muitos processos não tramitam em segredo de justiça, os dados ficam disponíveis publicamente.
Os golpistas, entretanto, monitoram publicações ligadas a advogados com grande volume de clientes, especialmente nas áreas previdenciária e trabalhista. A partir disso, extraem informações como nome do cliente, número do processo, valor a receber e advogado responsável.
Uso de plataformas jurídicas online
Ferramentas de consulta processual, como agregadores de dados jurídicos, permitem que os criminosos organizem listas de potenciais vítimas de forma automatizada.
Essas plataformas facilitam o cruzamento de informações, revelando histórico de processos e movimentações recentes, o que aumenta a credibilidade da fraude no primeiro contato.
Vazamento de dados e mercados ilegais
Em muitos casos, o golpista já tem os dados do processo, mas precisa do contato direto da vítima. Para isso, recorrem a bases vazadas de birôs de crédito ou operadoras de telefonia.
Além disso, fóruns clandestinos na deep web comercializam listas específicas de pessoas com precatórios ou valores judiciais a receber, direcionando ataques mais precisos.
Engenharia social e redes sociais
Os criminosos também investigam o advogado real. Eles acessam sites institucionais, Instagram ou LinkedIn para copiar fotos, logotipos e até o estilo de comunicação.
Com esse material, criam perfis falsos no WhatsApp Business, transmitindo aparência profissional e gerando confiança imediata.
O modus operandi após a coleta de dados
Após reunir as informações, o contato segue um roteiro padrão. Primeiro, anunciam que o pagamento foi liberado. Em seguida, criam senso de urgência, alegando a necessidade de pagar uma taxa, imposto antecipado ou custo cartorial.
Convencida pela precisão dos dados apresentados, a vítima realiza um Pix para contas de laranjas, consolidando o golpe.
Como se proteger do golpe do falso advogado
A principal regra é desconfiar de pedidos de dinheiro antecipado. Isso porque, advogados normalmente descontam honorários diretamente do valor recebido.
Além disso, confirme sempre por outro canal oficial. Nunca responda ao número que iniciou o contato. Por fim, verifique o nome do recebedor do Pix. Pagamentos para pessoas físicas desconhecidas indicam fraude.





