No fim de 2025, um episódio ocorrido no Rio Grande do Sul rapidamente ganhou repercussão nacional. A situação chamou atenção porque expôs, de forma clara, como os golpes digitais entraram em uma fase mais sofisticada e perigosa.
A história envolve uma mulher de 54 anos que afirmava manter um relacionamento virtual com o ator Brad Pitt.
Segundo ela, o ator chegaria ao Brasil para encontrá-la pessoalmente e oficializar o relacionamento.
Abordagem no aeroporto levantou o primeiro alerta
O episódio ocorreu em 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal. Naquele dia, agentes da Brigada Militar abordaram a mulher no aeroporto de Erechim, no norte do estado.
Ela aguardava o pouso de um avião que, segundo relatou, traria o ator ao país. Além disso, afirmou que o relacionamento virtual já durava cerca de dois meses.
O plano, conforme explicou, incluía hospedagem em um hotel local e mudança definitiva para São Valentim, cidade vizinha com cerca de 3 mil habitantes.
Durante a abordagem, a mulher demonstrou absoluta convicção. Em sua fala, ela afirmou que participou de várias videochamadas e, por isso, descartava qualquer possibilidade de fraude.
Reviravolta mudou completamente o rumo do caso
No entanto, após a ampla repercussão do vídeo nas redes sociais, o caso chegou à Polícia Civil.
Dias depois, em 5 de janeiro de 2026, a mulher apresentou uma nova versão ao registrar um boletim de ocorrência.
Segundo o novo depoimento, tudo não passou de uma brincadeira feita com o filho de 12 anos, que estava no carro no momento da abordagem.
Além disso, ela negou contato com golpistas, afirmou que não enviou dinheiro e garantiu que não sofreu prejuízo financeiro.
Investigação busca esclarecer contradições
Apesar da mudança de narrativa, a Polícia Civil de São Valentim decidiu manter a apuração.
Agora, os investigadores analisam se houve estelionato sentimental, possivelmente ocultado após a exposição pública, ou se a história foi inventada desde o início.
Caso a polícia comprove que a mulher mobilizou as autoridades de forma indevida, ela poderá responder por comunicação falsa de crime ou falso testemunho, crimes previstos no Código Penal.
Deepfakes tornam golpes cada vez mais convincentes
Independentemente do desfecho, o caso reforça um alerta importante. Atualmente, tecnologias de deepfake em tempo real permitem simular rosto e voz durante videochamadas.
Dessa forma, os criminosos quebram a principal barreira psicológica da vítima: a crença de que “se estou vendo, é real”. Na prática, mesmo pessoas cautelosas acabam enganadas.
O episódio do “Brad Pitt” no RS mostra, portanto, que a fraude digital avançou para um estágio mais convincente e emocionalmente perigoso, exigindo atenção redobrada da população e das autoridades.





