A poluição plástica cresce todos os anos e já alcança rios, mares e florestas. Por isso, cientistas buscam alternativas sustentáveis para lidar com o acúmulo de resíduos. Entre essas soluções, pesquisadores identificaram fungos da Amazônia capazes de degradar determinados tipos de plástico, inclusive em condições onde a decomposição normalmente não aconteceria.
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O tema, de fato, abriu novas perspectivas para técnicas de biorremediação no futuro.
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A seguir, você entende o que esses fungos realmente conseguem fazer, onde estão as limitações e como o Brasil participa dessas pesquisas.
O que os cientistas descobriram na Amazônia?
Durante expedições na Amazônia, pesquisadores identificaram diferentes fungos com capacidade de utilizar o plástico como fonte de energia, um comportamento raro na natureza.
Entre eles, um se destacou: Pestalotiopsis microspora.
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Ele foi encontrado em plantas da floresta amazônica.
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Conseguiu degradar poliuretano (PUR), um tipo de plástico presente em esponjas, espumas, tintas e solados.
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O mais impressionante: ele realiza essa decomposição mesmo sem oxigênio.
Essa característica é relevante porque aterros sanitários e lixões têm pouco oxigênio, dificultando a degradação natural.
Assim, o Pestalotiopsis abre portas para tecnologias que funcionem diretamente nesses ambientes.
E quanto ao PET, usado em garrafas plásticas?
Aqui é importante separar expectativa e realidade.
Pesquisas brasileiras, especialmente na região do Médio Amazonas (AM), testaram fungos locais em fragmentos de PET. Os resultados mostraram redução de massa do plástico ao longo de semanas, principalmente quando:
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o PET era pré-aquecido para aumentar sua porosidade;
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os fungos eram combinados em consórcios (várias espécies atuando juntas);
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havia indutores naturais, como resíduos de açaí ou tucumã, que estimulam enzimas.
Porém, a taxa de degradação do PET ainda é baixa, muito inferior ao necessário para aplicação direta na natureza.
Ou seja, os fungos mostram potencial. Entretanto, a técnica ainda não resolve o problema em escala real.
Como essa decomposição funciona?
Os fungos produzem enzimas, proteínas capazes de quebrar moléculas complexas.
As principais envolvidas nesse processo são:
| Enzima | Função | Importância no plástico |
|---|---|---|
| Hidrolases | Quebram ligações químicas com água | Mais eficazes em poliuretano |
| Laccases | Oxidam materiais orgânicos | Podem “preparar” o PET para outras quebras |
| Peroxidases | Aceleram processos de oxidação | Usadas para iniciar degradação superficial |
Para o PET, os cientistas avaliam sequências de etapas, como:
oxidadores → pré-quebra → hidrolases → conversão final.
Essa abordagem híbrida, inclusive, pode permitir avanços mais rápidos nos próximos anos.
O que pode acontecer no futuro?
O caminho mais realista no curto prazo envolve:
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Biorreatores: sistemas controlados que usam fungos para degradar resíduos industriais, principalmente poliuretano.
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Uso de enzimas isoladas, não dos fungos vivos, reduzindo riscos ambientais.
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Consórcios microbianos: combinação de fungos e bactérias que atuam em etapas diferentes do processo.
Assim, a tecnologia pode se tornar parte de soluções industriais antes de chegar a grandes ecossistemas.
Os fungos amazônicos representam uma promessa real, principalmente para poliuretano, com resultados já comprovados em laboratório.
Para o PET, os estudos mostram sinais positivos, contudo, ainda exigem tempo, engenharia e padronização.
O potencial existe e cresce. Mas a solução final para o plástico depende de pesquisa contínua, investimento e responsabilidade ambiental.
