A instabilidade política que domina o Peru há quase uma década ganhou um novo capítulo. Nesta semana ocorre a destituição da presidente do Peru Dina Boluarte, o Congresso alegou “incapacidade moral permanente”.
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A decisão, tomada em meio a protestos e denúncias de abusos de poder, encerrou um mandato já marcado por controvérsias, mortes em manifestações e investigações por corrupção.
Boluarte, que assumiu o poder em 2022 logo após a queda de Pedro Castillo, prometia estabilidade. No entanto, viu sua popularidade despencar para apenas 7%.
Durante seu governo, o país registrou fortes protestos sociais, especialmente nas regiões andinas, onde comunidades denunciaram repressão e uso excessivo da força.
O Ministério Público, inclusive, chegou a abrir investigações contra ela por homicídio qualificado e genocídio, após episódios como o massacre de Juliaca, que deixou 17 mortos.
Além disso, Boluarte foi alvo de acusações de enriquecimento ilícito, envolvendo o uso de relógios de luxo e veículos oficiais.
O desgaste político portanto culminou em sua saída. Este é um reflexo de um cenário institucional cronicamente instável. Vale lembrar que o Peru já teve sete presidentes em menos de nove anos.
José Jerí assume e promete “guerra ao crime”
Com a destituição de Boluarte, o presidente do Congresso, José Jerí Ore, de 38 anos, foi empossado como novo chefe de Estado.
Membro do partido de centro-direita Somos Perú, Jerí prometeu enfrentar as organizações criminosas e declarou assim, que seu principal inimigo serão “as quadrilhas que aterrorizam o país”.
Apesar do discurso firme, sua chegada ao poder está longe de simbolizar renovação. Afinal, Jerí enfrenta acusações graves, incluindo enriquecimento ilícito, suborno e até um processo anterior por estupro — arquivado por falta de provas.
Além disso, enfrenta ele também é investigado por supostamente ter pedido 150 mil soles em propina para incluir um projeto no orçamento público.
Mesmo sob pressão, Jerí se comprometeu a convocar novas eleições gerais para abril de 2026, tentando pacificar um cenário político esgotado.
Analistas, porém, veem sua ascensão como uma transição frágil, já que a maioria dos peruanos expressa desconfiança em relação ao Congresso, considerado uma das instituições mais desacreditadas do país.
Um ciclo de instabilidade sem fim
A sucessão entre Dina Boluarte e José Jerí reforça a percepção de que o Peru vive uma crise estrutural, marcada por corrupção endêmica e colapsos políticos sucessivos.
Desde 2016, nenhum presidente conseguiu concluir o mandato. Pedro Pablo Kuczynski renunciou em meio a escândalos, Martín Vizcarra foi destituído, e Pedro Castillo acabou preso após tentativa de golpe.
Agora, o desafio de Jerí será reconstruir a confiança pública, conter o avanço do crime organizado e estabilizar as instituições democráticas.
No entanto, com a sombra de escândalos pessoais e a fragilidade de sua base política, o futuro do Peru continua incerto, e o ciclo de turbulências pode estar longe de chegar ao fim.
