O Google confirmou que, a partir de 2026, vai integrar recursos avançados de inteligência artificial diretamente às TVs com Google TV. A promessa inclui geração de imagens, vídeos, respostas visuais e comandos naturais.
Porém, críticos alertam para um efeito colateral crescente, chamado de “IA slop”, conteúdo gerado por IA em excesso, com pouca curadoria e valor questionável.
A mudança pode transformar a TV em algo muito além de uma tela de streaming. Ainda assim, levanta dúvidas sobre qualidade, utilidade e saturação de conteúdo.
O que é “IA slop” e por que o termo preocupa?
O termo “IA slop” vem sendo usado para descrever conteúdo produzido em massa por inteligência artificial, muitas vezes repetitivo, superficial ou sem critério editorial claro.
Além disso, o problema não está apenas na tecnologia. Está no volume e na onipresença desses conteúdos, que passam a ocupar espaços antes reservados a produções humanas, como notícias, vídeos informativos e entretenimento.
No caso das TVs, o impacto tende a ser ainda maior, pois se trata de um ambiente de consumo passivo e coletivo.
O que muda no Google TV a partir de 2026
Segundo o Google, a IA Gemini será integrada de forma profunda ao sistema das TVs.
Ou seja, você vai conseguir interagir com a televisão como se estivesse conversando com um assistente inteligente visual. Então, entre as novidades previstas, chegam:
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Geração de imagens e vídeos diretamente na TV
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Respostas visuais e narrativas para perguntas do dia a dia
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Explorações interativas de temas, chamadas de “deep dives”
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Transformação de fotos pessoais em slideshows cinematográficos
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Controle da TV por comandos naturais, como ajustes de brilho e som
Na prática, a TV deixa de ser apenas um reprodutor de conteúdo e passa a produzir informação e mídia gerada por IA.
Por que críticos veem risco nessa estratégia do Google?
Embora os recursos pareçam atraentes, especialistas apontam que a experiência pode se tornar excessivamente poluída por outputs de IA. Além disso, existe o risco de:
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Conteúdos gerados sem contexto ou profundidade
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Redução da visibilidade de produções profissionais
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Confusão entre informação confiável e material sintético
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Saturação visual e cognitiva do usuário
Em um ambiente como a sala de estar, isso pode afetar diretamente a forma como famílias consomem informação.
O impacto para consumidores em 2026
Para o consumidor comum, o impacto será imediato. A TV passará a responder, sugerir, criar e narrar conteúdos, muitas vezes sem solicitação direta.
Porém, a grande questão será o controle. Quanto mais a IA ocupa espaço na interface, menor tende a ser a distinção entre o que foi escolhido pelo usuário e o que foi empurrado pelo sistema.
Em 2026, o Google não apenas levará IA para as TVs. Ele levará decisões automatizadas, conteúdos sintéticos e narrativas geradas por máquinas diretamente para a tela principal da casa.
Se isso será inovação útil ou apenas mais “IA slop”, dependerá de transparência, limites e, sobretudo, da capacidade do usuário de manter o controle sobre o que consome.





