Você sabia que aqueles fios brancos que começam a aparecer podem ser mais do que um sinal do tempo passando? Um estudo recente, divulgado pela BBC News e publicado na renomada revista científica Nature Cell Biology, sugere que o surgimento dos cabelos grisalhos pode ser, na verdade, um mecanismo de defesa do nosso organismo.
A hipótese é de que os cabelos brancos possam ser uma defesa do corpo contra o desenvolvimento de certos tipos de câncer, como o melanoma, um câncer de pele mais agressivo.
Entendendo o mecanismo por trás dos fios brancos
A pesquisa se aprofunda nas células-tronco responsáveis pela produção de melanina, o pigmento que dá cor à nossa pele e cabelo. Essas células, localizadas nos folículos capilares, são ativadas ao longo da vida para manter a cor dos fios.
No entanto, quando essas células-tronco sofrem danos em seu DNA, especialmente lesões graves, elas podem entrar em um processo chamado de “seno-diferenciação”.
Nesse processo, as células amadurecem de forma que não podem mais ser revertidas e acabam saindo do reservatório de células-tronco. Como resultado, a produção de melanina diminui, levando ao aparecimento dos cabelos brancos. Basicamente, o corpo estaria priorizando a proteção contra o câncer em detrimento da pigmentação dos fios.
O “auto-sacrifício” celular como estratégia de defesa
A professora Emi Nishimura, da Universidade de Tóquio e líder do estudo, explica que esse mecanismo funciona como uma estratégia de proteção.
“Essas descobertas mostram que a mesma população de células-tronco pode seguir destinos opostos — exaustão ou expansão — dependendo do tipo de estresse e dos sinais do microambiente”, afirmou Nishimura em declarações à BBC.
Em termos simples, quando uma célula-tronco é danificada, ela se retira de cena. Isso impede que ela se multiplique com o DNA prejudicado, reduzindo o risco de acumular mutações que poderiam dar início a um câncer. O cabelo grisalho, nesse contexto, seria uma consequência visível dessa proteção biológica.
Quando o alerta falha: o risco de câncer aumenta
O estudo também apontou que, em algumas situações, como a exposição a substâncias químicas cancerígenas ou à radiação ultravioleta (do sol), esse mecanismo de defesa pode falhar. Nesses casos, as células danificadas podem continuar se dividindo, aumentando o risco de proliferação descontrolada e o desenvolvimento de tumores.
“Isso reformula o entendimento do embranquecimento do cabelo e do câncer de pele, não como eventos isolados, mas como desfechos diferentes de respostas ao estresse celular”, concluiu Nishimura.
Assim, o aparecimento de cabelos brancos, que antes era visto apenas como um sinal de envelhecimento, pode agora ser interpretado como um importante sinal de alerta do nosso corpo.
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