Uma substância criada por pesquisadores brasileiros reacendeu a esperança de milhares de pessoas com lesão medular. A polilaminina já permitiu que pacientes com paraplegia e tetraplegia recuperassem movimentos voluntários em casos recentes.
Além disso, o tratamento experimental avançou para testes clínicos oficiais autorizados pela Anvisa em 2026, o que reforça o potencial científico da descoberta.
O que é a polilaminina e como ela funciona?
A polilaminina deriva da laminina, proteína encontrada naturalmente na placenta humana.
Pesquisadores da UFRJ, liderados pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, desenvolveram a substância em parceria com a geneticista Mayana Zatz.
Como ela age no organismo?
A polilaminina atua diretamente no local da lesão e:
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forma uma espécie de malha biológica;
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cria um ambiente favorável ao crescimento dos neurônios;
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facilita a reconexão das fibras nervosas interrompidas.
Além disso, médicos aplicam a substância diretamente na medula espinhal, durante uma cirurgia.
Casos reais: pacientes voltaram a mexer pernas e pés
Entre os relatos mais recentes, está o de Diogo Barros Brolho, de 35 anos.
Após sofrer uma lesão medular total em uma queda no Rio de Janeiro, ele recebeu a polilaminina por decisão judicial. Pouco tempo depois, passou a movimentar voluntariamente o pé e a perna direita.
Segundo reportagens, este já representa o quarto caso documentado de recuperação motora parcial com uso da substância. Aliás, outros pacientes conseguiram:
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movimentar os dedos dos pés;
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voltar a ficar em pé;
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subir escadas com apoio.
Ainda assim, especialistas pedem cautela, pois os estudos permanecem em estágio inicial.
Anvisa autoriza testes clínicos em 2026
Em 5 de janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início da fase 1 dos testes clínicos da polilaminina.
O que essa fase avalia?
Nesta etapa, os pesquisadores analisam:
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a segurança do procedimento;
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possíveis efeitos colaterais;
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a tolerância do organismo ao tratamento.
Cinco voluntários, com idades entre 18 e 72 anos e lesões torácicas recentes, participam do estudo.
A análise da eficácia, porém, ocorrerá apenas nas próximas fases.
Avanço científico, porém com cautela
Apesar da empolgação pública, inclusive, com especulações sobre um possível Prêmio Nobel, a comunidade científica mantém uma postura prudente. Afinal:
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o tratamento ainda permanece experimental;
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a substância não está disponível comercialmente;
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novas fases clínicas precisarão confirmar os benefícios no longo prazo.
Mesmo assim, a polilaminina já coloca o Brasil em posição de destaque nas pesquisas globais sobre regeneração da medula espinhal.





