Transtornos mentais entre professores: o que explica os afastamentos e como isso afeta benefícios do INSS

O avanço dos transtornos mentais entre professores deixou de ser um problema isolado e passou a afetar diretamente a Previdência Social.

Cada vez mais docentes recorrem ao INSS por incapacidade temporária ou permanente. Como resultado, cresce o número de auxílios-doença e aposentadorias antecipadas por problemas emocionais.

Além disso, a crise educacional ganhou dimensão previdenciária.

Números revelam a escala do problema dos transtornos mentais entre professores

Os dados mais recentes sobre afastamentos mostram uma tendência clara de crescimento no país.

  • Em 2024, o Brasil registrou cerca de 472 mil licenças médicas por transtornos mentais, o maior patamar da série histórica.
  • Esse volume representou alta de aproximadamente 68% em relação a 2023.
  • Somente nos primeiros meses de 2025, mais de 260 mil afastamentos já haviam sido concedidos por problemas emocionais.
Um professor sofrendo de Transtornos mentais na sala de aula sozinho
Transtornos mentais entre professores ─ Imagem: Geração/FDR

No caso específico dos professores, os números chamam ainda mais atenção.

  • No estado de São Paulo, entre janeiro e setembro de 2025, foram contabilizados 25.699 afastamentos de docentes por transtornos mentais.
  • Isso equivale a uma média de quase 95 licenças por dia apenas na rede paulista.
  • No mesmo período, somaram-se mais de 900 mil dias de afastamento, com média de 35 dias por licença.

Esses dados, de fato, confirmam que o adoecimento mental já afeta a estrutura das redes de ensino.

Por que tantos professores estão adoecendo?

A realidade nas escolas mudou de forma intensa nos últimos anos.

Além da carga excessiva de aulas, muitos docentes acumulam funções administrativas. Ao mesmo tempo, a remuneração não acompanha a complexidade da função.

Outro fator relevante envolve o ambiente social. Afinal, professores lidam diariamente com:

  • conflitos familiares,
  • problemas emocionais dos alunos,
  • violência simbólica,
  • falta de apoio institucional.

Somado a isso, o retorno às aulas logo após a pandemia ampliou quadros de ansiedade e esgotamento. Muitos voltaram sem acompanhamento psicológico e com novas responsabilidades.

Como consequência, o estresse deixou de ser episódico e passou a ser crônico.

Como isso impacta o INSS?

Com o aumento dos afastamentos, cresce a procura por benefícios previdenciários. O principal deles é o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença).

Quando o quadro se torna irreversível, o professor pode solicitar aposentadoria por incapacidade permanente. Entretanto, após a reforma da Previdência, o valor do benefício não é mais integral em grande parte dos casos.

Além disso, muitos segurados enfrentam:

  • atrasos em perícias,
  • exigências de novos laudos,
  • dificuldade para comprovar incapacidade emocional.

Paralelamente, estudos indicam que os gastos públicos com afastamentos por doenças mentais já alcançam cifras próximas de R$ 7 bilhões por ano. Assim, o impacto não é apenas social, mas também fiscal.

Professor na sala de aula triste na cadeira
Transtornos mentais entre professores ─ Imagem: Geração/FDR

Consequências para escolas e sociedade

Os afastamentos criam efeito dominó. Afinal, quando um professor se ausenta, outro assume mais turmas.

Como resultado, aumenta a sobrecarga e o risco de novos adoecimentos. Além disso, alunos enfrentam troca constante de docentes, o que afeta a aprendizagem.

Ao mesmo tempo, o INSS lida com fila crescente de perícias e concessões.

A crise mental entre professores já ultrapassou os muros da escola. Hoje, ela alcança o sistema previdenciário e impõe custos ao país.

Sem políticas de prevenção, valorização profissional e atendimento psicológico contínuo, o número de afastamentos e benefícios seguirá aumentando.

Cuidar da saúde mental do docente é proteger a educação e equilibrar a Previdência.

Moysés BatistaMoysés Batista
Moysés é Bacharel em Letras pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Além de ter entregue mais de 10 mil artigos em SEO nos últimos anos, tem se especializado na produção de conteúdo sobre benefícios sociais, crédito e notícias nacionais.