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Aumento da Selic: por que a taxa foi elevada? Como ficam os investidores? E os empréstimos?

Por Silvio Suehiro
17 de março de 2022
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Nova taxa de juros é decidida em reunião do Copom; entenda impactos

Nova taxa de juros é decidida em reunião do Copom; entenda impactos (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (16), realizar aumento da Selic, de 10,75% ao ano para 11,75% ao ano. Neste ciclo de alta da taxa básica de juros, esta foi o novo aumento consecutivo. O movimento já era previsto por economistas.

Aumento da Selic: por que a taxa foi elevada? Como ficam os investidores? E os empréstimos?
Aumento da Selic: por que a taxa foi elevada? Como ficam os investidores? E os empréstimos? (Imagem: Montagem/FDR)

O ciclo de aumento da taxa Selic acontece desde março do ano passado, quando os juros saíram da mínima histórica de 2% ao ano. Com a alta recente, o Selic registrou o maior nível em quase cinco anos.

Para a próxima reunião, o Copom indicou que também deve aumentar a Selic em 1 ponto percentual. Apesar disso, o colegiado informa que os futuros passos da política monetária poderão ser alterados para garantir a convergência da inflação para suas metas.

Porque a taxa Selic foi elevada?

A taxa Selic foi elevada por conta da inflação persistente no Brasil. A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial do país, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O Banco Central tem a responsabilidade de manter a inflação brasileira nem muito alta e nem muito baixo. Ao elevar a Selic, os preços e o dinheiro ficam mais caros. Consequentemente, as pessoas tendem a gatar menos. Sendo assim, quando há aumento de juros, a economia passa a esfriar.

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o IPCA chegou a 10,54%. Apenas em fevereiro, a inflação foi de 1,01% — sendo o maior nível para o mês desde 2015. O IPCA vem sendo pressionado pela alta nos combustíveis e pelas elevações do começo de ano nas despesas de educação.

Ainda cabe destacar que a guerra entre Rússia e Ucrânia piorou a inflação no Brasil. As duas nações em conflito são grandes exportadoras de grãos e petróleo. Diante disso, os insumos encareceram, de forma a também puxar os valores dos produtos que são produzidos com esses itens.

Como ficam os investidores após o aumento da taxa Selic?

O aumento da taxa Selic afeta diversos investimentos, principalmente os de renda fixa. Os maiores favorecidos pelo reajuste são as aplicações pós-fixadas — como o CDI (Certificado de Depósito Bancário) os títulos atrelados à Selic.

Entre os investimentos pós-fixados, existentes no mercado, estão os CDBs pós-fixados atrelados ao CDI, Tesouro Selic, e as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) que são emitidos por bancos atrelados ao CDI.

A elevação da taxa de juros ainda impacta os títulos atrelados à inflação durante este ano. Entre os favorecidos, estão os títulos do Tesouro IPCA+, principalmente de curto prazo — caso o investidor mantenha a aplicação até o dia de vencimento.

As aplicações prefixadas, como o Tesouro Direto Prefixado, passaram a conceder maiores taxas de remuneração, maior do que 12%. No caso desse título, existe uma remuneração fixa até o dia de vencimento.

De forma indireta, o aumento da taxa Selic afeta os investimentos de renda variável. Isso acontece porque as aplicações de renda fixa se tornam mais atraentes — de forma a causar uma migração de investidores.

No cenário de redução de investidores na Bolsa de Valores, o valor das ações pode recuar. Além disso, a Selic maior desestimula as companhias a investir e elevar a produtividade.

Os investimentos de renda variável são afetados indiretamente pelo reajuste da taxa Selic
Os investimentos de renda variável são afetados indiretamente pelo reajuste da taxa Selic (Imagem: Montagem/FDR)

Como ficam os empréstimos após o aumento da taxa Selic?

Quando ocorre o aumento da taxa Selic, os preços de serviços financeiros, como empréstimos, são pressionados para cima. Isso acontece porque a Selic influencia todas as taxas de juros do país.

Devido a este ciclo de aumento da Selic, os juros cobrados pelos bancos, para empréstimos, seguem aumentando. Segundo dados do Banco Central, em janeiro, o preço médio chegou a 35,3% ao ano.

Em dezembro do ano passado, a taxa bancária média era de 33,8%. O valor recente representa o maior nível desde novembro de 2019, quando tinha chegado a 35,49%.

Os números são referentes ao setor de segmento de recursos livres, em que o valor dos financiamentos é definido livremente pelas instituições financeiras.

Silvio Suehiro

Silvio Suehiro

Silvio Suehiro é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2020, dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.

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