Um estudo publicado na revista Sleep Medicine encontrou uma associação entre doses diárias elevadas de vitamina D e melhor desempenho cognitivo em adultos mais velhos com comprometimento cognitivo leve e distúrbios do sono.
O resultado chama atenção, porém não prova que aumentar a suplementação melhora a memória.
A pesquisa analisou 54 participantes, com idade média de 67,2 anos.
Entre eles, 98,1% apresentavam sono ruim pelo índice de Pittsburgh e 42,6% tinham sonolência excessiva pelo teste de Epworth.
Grupo que tomou 5.000 UI ou mais teve pontuação maior
Os pesquisadores dividiram os participantes conforme a quantidade diária de vitamina D informada por eles.
Apenas o grupo que relatou consumo de 5.000 UI ou mais por dia apresentou associação estatisticamente significativa com pontuação superior no teste MoCA, usado para avaliar funções cognitivas.
Nesse grupo, formado por apenas 12 pessoas, a diferença ajustada foi de 3,78 pontos no MoCA em comparação com quem não tomava vitamina D diariamente.
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Doses abaixo de 5.000 UI não mostraram diferença significativa no estudo.
Os cálculos consideraram fatores como idade, sexo, índice de massa corporal, tipo de vitamina D e escolaridade.
Mesmo assim, o próprio trabalho classifica os resultados como preliminares.
Estudo observacional não permite afirmar causa e efeito
O desenho da pesquisa foi transversal.
Isso significa que os cientistas observaram, em um mesmo período, a suplementação relatada e o desempenho cognitivo, sem distribuir doses de vitamina D de forma aleatória nem acompanhar os participantes por anos.

Por esse motivo, não é possível concluir que a dose elevada tenha provocado a melhor pontuação.
Outros fatores ligados ao perfil dos participantes também podem influenciar o resultado.
5.000 UI ultrapassam o limite diário tolerável para adultos
Outro ponto decisivo é a dose.
O limite superior tolerável estabelecido para adultos pelo conselho norte-americano de alimentação e nutrição é de 4.000 UI por dia.
Doses acima desse patamar podem ser usadas em situações clínicas específicas, mas exigem avaliação profissional.
O excesso prolongado de vitamina D pode elevar o cálcio no sangue e provocar efeitos adversos.
Portanto, o estudo não deve ser interpretado como recomendação para idosos aumentarem a dose por conta própria.
Resultado abre caminho para estudos maiores
Os autores apontam que a amostra pequena e a coleta autorreferida sobre suplementos limitam a força da conclusão.
O próximo passo é testar a hipótese em grupos maiores, com acompanhamento longitudinal e ensaios capazes de separar melhor o efeito da vitamina D de outras características dos participantes.
Para quem apresenta perda de memória ou alterações persistentes do sono, a avaliação médica continua sendo o caminho mais seguro antes de modificar qualquer suplemento.
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