Um termo que assusta voltou a dominar as previsões do tempo: ciclone bomba.
O Instituto Nacional de Meteorologia acendeu o alerta para a possível formação de um sistema intenso que deve varrer o Sul do país nos próximos dias, com potencial para ventos acima de 100 km/h, temporais, granizo e uma queda brusca de temperatura.
Mas afinal, o que é esse fenômeno de nome dramático, e quais regiões estão na mira? Entenda o que os meteorologistas estão monitorando.
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O que é um ciclone bomba?
Apesar do nome alarmante, o conceito por trás do fenômeno é técnico. O ciclone bomba é o apelido popular de um processo chamado ciclogênese explosiva, também conhecido como bombogênese.
Ele acontece quando um sistema de baixa pressão atmosférica se intensifica de forma muito rápida em um curto intervalo de tempo.
Segundo o Inmet, para ser classificado como ciclone bomba, o sistema precisa registrar uma queda acentuada da pressão atmosférica em poucas horas.
Nas projeções atuais, a pressão central pode despencar cerca de 26 hPa em apenas 24 horas, atingindo o pico de intensidade com valores em torno de 940 hPa.
É essa intensificação relâmpago que dá ao fenômeno o poder de gerar ventos e tempestades severas.
Vale um esclarecimento importante: a confirmação de que se trata de um ciclone bomba dependerá da observação real da queda de pressão durante a evolução do sistema.
Ou seja, os modelos apontam um cenário muito favorável, mas a classificação definitiva só virá com o desenrolar do fenômeno.
Onde e quando o ciclone bomba deve se formar?
A origem do sistema está fora do Brasil, mas seus efeitos vão bater à nossa porta.
O Inmet monitora um sistema de baixa pressão que deve dar origem a um ciclone extratropical intenso na região entre a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil e o Oceano Atlântico.
A organização do sistema começa a partir da manhã desta quinta-feira (6), quando um cavado atmosférico sobre o norte da Argentina e o Paraguai deve evoluir para um centro de baixa pressão entre o litoral do Rio Grande do Sul e o Uruguai.
É desse processo que nasce o ciclone. Os impactos mais fortes no Brasil estão previstos justamente para o período entre os dias 6 e 8 de agosto, com o pico de intensidade do sistema previsto para o sábado (8).
As regiões na mira e os impactos esperados
A resposta para “onde ele pode cair” é clara: a Região Sul será a mais afetada. É lá que a passagem do ciclone favorecerá o avanço de uma frente fria, trazendo um pacote completo de mau tempo.
Entre os principais impactos previstos estão chuvas intensas, temporais, descargas elétricas (raios), rajadas de vento e queda de granizo. A intensidade dos ventos varia conforme a localização:
- No Oceano Atlântico: nas proximidades do centro do ciclone, as rajadas podem superar os 100 km/h.
- No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina: na faixa litorânea e em áreas dessas regiões, os ventos devem ultrapassar os 60 km/h.
- Entre o Sul do Brasil e o Paraguai: há risco de formação de linhas de instabilidade e frentes de rajada, ventos fortes e repentinos que se deslocam à frente das tempestades.
Os alertas já em vigor
O Inmet não está apenas observando: já emitiu avisos oficiais que sobem de gravidade conforme os dias avançam.
Para esta quarta-feira (5), o órgão mantém um aviso amarelo, de perigo potencial, para tempestades no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e em partes do Mato Grosso do Sul e da divisa entre São Paulo e Paraná.
Já para quinta-feira (6), quando o sistema começa a se organizar, o aviso é elevado para laranja, de perigo, abrangendo todo o Rio Grande do Sul e áreas de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Depois da tempestade, vem o frio
O ciclone bomba não traz só vento e chuva; ele abre caminho para uma virada radical no termômetro.
Após a passagem do sistema e o seu gradual afastamento em direção ao oceano, uma massa de ar frio associada a uma área de alta pressão avançará sobre o centro-sul do país.
O resultado será uma queda acentuada das temperaturas.
Os reflexos não ficam restritos ao Sul: nos dias seguintes, o ar frio pode alcançar também localidades das regiões Centro-Oeste e Sudeste, provocando declínio nas temperaturas em uma área ampla do Brasil.
Como se preparar e se proteger do ciclone bomba?
Diante do alerta, a recomendação é de atenção redobrada, sobretudo para quem mora nas regiões de maior risco. Algumas medidas ajudam a reduzir os perigos durante a passagem do sistema:
- Evite estacionar veículos sob árvores, placas ou estruturas que possam cair com o vento forte.
- Reforce a fixação de telhados, toldos e objetos soltos em quintais e varandas.
- Durante temporais com raios, evite áreas abertas e não se abrigue debaixo de árvores.
- Redobre o cuidado ao dirigir, já que rajadas fortes e chuva intensa reduzem a visibilidade e a estabilidade do carro.
Fique atento aos alertas oficiais e à orientação da Defesa Civil da sua cidade.
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