O vilão do endividamento do brasileiro tem nome e sobrenome: cartão de crédito.
Um levantamento recente sobre o Desenrola Brasil revelou que metade de todos os acordos fechados no programa de renegociação são justamente para quitar dívidas de cartão.
Porém, há uma boa notícia para quem ainda está no vermelho: o governo prorrogou as condições especiais do programa até 31 de agosto, dando um fôlego extra para regularizar o CPF com descontos que chegam a 90%.
O cartão de crédito no topo das renegociações
Os dados escancaram o peso do cartão no bolso do brasileiro.
Segundo um levantamento da plataforma Acordo Certo, do grupo Consumidor Positivo, o cartão de crédito concentra metade de todos os acordos fechados por meio do Desenrola.
Os números do estudo detalham esse cenário:
- Das mais de 89 mil dívidas renegociadas na plataforma durante o programa, 44.550 eram de cartão de crédito, ou seja, 50% do total.
- Em segundo lugar aparecem os empréstimos pessoais, com quase 11 mil renegociações, cerca de 12% do volume.
- Apesar de menor em quantidade, o empréstimo pessoal tem ticket médio mais alto: R$ 2.473, contra R$ 1.616,11 das dívidas de cartão.
A liderança do cartão não surpreende. Por ser um crédito de fácil acesso e juros elevados, sobretudo no rotativo, ele costuma ser a porta de entrada para o endividamento das famílias.
A prorrogação até 31 de agosto
A notícia que interessa a quem ainda não renegociou é o prazo estendido.
O governo federal oficializou, por meio de portaria do Ministério da Fazenda publicada no Diário Oficial, a prorrogação do Desenrola Brasil 2.0 até 31 de agosto.
As condições seguem exatamente as mesmas que já estavam em vigor.
Segundo o governo, a extensão de quase um mês atende à grande procura registrada pelos bancos e busca ampliar o número de famílias atendidas antes do encerramento desta fase do programa.
Vale um detalhe importante: a prorrogação se aplica às instituições financeiras que fecharam, até 30 de julho, no mínimo mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).
As condições do programa
Para quem quer aproveitar, vale conhecer o que o Desenrola oferece. As vantagens da renegociação são atrativas:
- Descontos: que podem chegar a até 90% do valor da dívida.
- Juros: limitados a 1,99% ao mês.
- Parcelamento: em até 48 meses (quatro anos).
- FGTS: possibilidade de usar o saldo do fundo para quitar débitos, conforme as regras.
A negociação pode ser feita de forma totalmente online, pelo aplicativo ou site das plataformas participantes, sem burocracia ou necessidade de deslocamento.
Quem pode participar da renegociação do cartão de crédito?
O programa tem um público-alvo definido e critérios específicos de elegibilidade. Ele é voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas em atraso de cartão de crédito, cheque especial ou empréstimos.
Há também regras quanto ao tipo de dívida que entra na renegociação. Podem ser negociados débitos contratados até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam em atraso por um período entre 91 dias e dois anos.
A regra do cartão de crédito que bloqueia apostas: bets
Um ponto curioso e pouco divulgado do programa é uma medida de proteção social embutida na renegociação. Quem adere ao acordo tem o CPF bloqueado para apostas online, as bets, pelo período de 12 meses.
A lógica por trás dessa regra é direta: garantir que o dinheiro economizado com os descontos seja de fato direcionado ao orçamento familiar e à quitação das dívidas, e não gasto novamente em apostas.
Cartão de crédito: como renegociar
Para quem se encaixa nos critérios, o caminho é simples e digital.
O consumidor pode buscar as plataformas oficiais de renegociação, os canais dos próprios bancos e credores, ou os sites e aplicativos participantes do programa, e verificar as ofertas disponíveis para o seu caso.
O prazo, no entanto, é curto: as condições especiais valem até 31 de agosto.
Quem tem dívidas em atraso deve aproveitar a janela para negociar com desconto antes do encerramento.
Para confirmar as regras atualizadas e os canais oficiais, vale consultar o site do Desenrola Brasil, os canais do Ministério da Fazenda (gov.br) e a Caixa Econômica Federal.
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