A revisão da vida toda voltou ao centro do debate. Um projeto de lei apresentado na Câmara quer obrigar o INSS a aplicar a regra de cálculo mais vantajosa nas aposentadorias concedidas entre novembro de 1999 e novembro de 2019, de forma automática.
A proposta ainda precisa ser votada, então nada muda por enquanto. Veja o que está em jogo e quem seria beneficiado.
O que propõe o novo projeto de lei?
O Projeto de Lei 3.379/2026 foi apresentado no dia 2 de julho pelo deputado Ribamar Silva (Pode-SP). A ideia central é permitir que o segurado opte pela regra de cálculo que resultar no maior benefício.
Isso inclui a chamada revisão da vida toda, que coloca no cálculo as contribuições feitas antes de julho de 1994, período anterior ao Plano Real que hoje fica de fora da conta.
O que é a revisão da vida toda?
É um método de cálculo que considera toda a vida contributiva do trabalhador, e não apenas os salários a partir de julho de 1994.
Quem ganhava salários altos antes do Plano Real tende a se beneficiar, porque essas contribuições passariam a puxar a média do benefício para cima.
Vale lembrar o contexto: a tese chegou a ser reconhecida na Justiça, mas foi barrada pelo STF em 2024. O projeto tenta garantir o direito por meio de lei.
Quem seria beneficiado se o projeto virar lei?
A proposta define um público e um funcionamento bem específicos. Os principais pontos são:
- Benefícios concedidos entre novembro de 1999 e novembro de 2019
- Aplicação automática, sem o segurado precisar pedir
- Validade para benefícios de todo o país
- Sem pagamentos retroativos de diferenças passadas
Quem já briga na Justiça pelo recálculo poderia desistir do processo para buscar a revisão administrativa, caso ela seja mais vantajosa.
A revisão da aposentadoria já está valendo?
Não, e este é o ponto que evita frustração. O texto foi apenas apresentado e ainda precisa passar pelas comissões da Câmara, ser aprovado pelos deputados e pelo Senado antes de virar lei.
O caminho costuma ser longo, e propostas que aumentam gastos previdenciários enfrentam resistência, já que o próprio projeto admite elevar as despesas com aposentadorias, ainda que reduza custos judiciais.