O governo federal prepara uma nova fase do Desenrola Brasil para ajudar famílias endividadas a renegociar débitos com descontos, juros menores e uso parcial do FGTS. A proposta, chamada de Novo Desenrola Brasil ou Desenrola 2.0, foi antecipada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve mirar dívidas de cartão, cheque especial, crédito pessoal e Fies.
A nova etapa surge logo após o encerramento do Desenrola Brasil original, que já aparece como finalizado no site do Ministério da Fazenda. Por isso, a orientação ao consumidor é acompanhar a formalização das novas regras antes de tentar qualquer renegociação.
A expectativa é que o programa permita descontos de 30% a 90% sobre o valor das dívidas, além de juros limitados a 1,99% ao mês. Segundo informações divulgadas, a medida deve permitir também o uso de até 20% do saldo do FGTS para ajudar no pagamento dos débitos.
Desenrola 2.0 pode usar FGTS para quitar dívidas
O ponto mais sensível do novo programa é a possibilidade de usar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para pagar dívidas. A ideia é permitir que o trabalhador utilize uma fração do saldo para reduzir pendências financeiras, com transferência feita diretamente entre instituições financeiras.
Na prática, isso pode ajudar quem está preso em dívidas caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito rotativo. Porém, o uso do FGTS exige cautela, já que o fundo funciona como uma reserva em situações como demissão sem justa causa.
De acordo com as informações antecipadas, o novo Desenrola deve alcançar dívidas de:
| Dívida | Deve entrar no programa? |
|---|---|
| Cartão de crédito | Sim |
| Crédito rotativo | Sim |
| Cheque especial | Sim |
| Crédito pessoal | Sim |
| Fies | Sim |
| Dívidas de consumo em geral | Depende da regra final |
Bloqueio em bets vira condição para entrar no programa
Outra novidade de forte repercussão é o bloqueio em plataformas de apostas online para quem aderir ao novo Desenrola. Lula afirmou que os participantes ficarão impedidos de acessar bets por um ano, como forma de evitar que a renegociação seja acompanhada por novo endividamento ligado ao jogo.
A medida cria uma trava comportamental dentro do programa. Ou seja, o governo tenta associar a renegociação não apenas à redução da dívida, mas também à mudança de hábitos financeiros.
O anúncio também mira um problema crescente no orçamento das famílias. O endividamento com crédito caro compromete a renda mensal e pode impedir o consumidor de reorganizar despesas básicas, como alimentação, aluguel, transporte e contas de casa.
Ainda assim, o consumidor deve esperar a publicação das regras oficiais para saber como aderir, quais bancos participarão, quais dívidas serão aceitas e como será feita a autorização para uso do FGTS.
