O crédito deixou de ser apenas um vilão no orçamento das famílias brasileiras. Em meio a um cenário em que quase 8 em cada 10 lares possuem dívidas, cresce o uso planejado do crédito como ferramenta de organização financeira.
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostram que 79% das famílias estão endividadas, com o cartão de crédito concentrando cerca de 85% dos casos.
Esse contexto tem impulsionado uma mudança importante no mercado: o avanço do chamado crédito consciente.
Por que o crédito deixou de ser o principal problema
A discussão começa a mudar de direção. Especialistas apontam que a inadimplência está menos ligada ao crédito em si e mais ao uso sem planejamento.
Na prática, isso significa que o crédito pode funcionar como aliado quando utilizado com estratégia e dentro da realidade financeira do consumidor.
Entre os fatores que explicam esse movimento, estão:
- Falta de informação sobre custos e juros
- Uso impulsivo do cartão de crédito
- Limites incompatíveis com a renda
Com isso, cresce a percepção de que o problema não é acessar crédito, e sim como ele é oferecido e utilizado.
Tecnologia redefine a concessão de crédito no país
O avanço das fintechs tem acelerado essa transformação. Segundo levantamento da PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital, o volume concedido por essas empresas chegou a R$ 35,5 bilhões em 2024.
Essas plataformas apostam em modelos mais inteligentes, que incluem:
- Análise de dados em tempo real
- Uso de inteligência artificial
- Avaliação por dados alternativos (além do score tradicional)
Esse novo formato permite uma concessão mais precisa, reduzindo o risco de liberar crédito acima da capacidade de pagamento.
Novo cenário muda o papel do crédito no Brasil
A transformação em curso aponta para um reposicionamento do crédito no país.
De um lado, há maior controle e responsabilidade na concessão. Do outro, consumidores passam a usar o recurso de forma mais consciente.
O resultado é uma mudança de lógica: menos foco em volume e mais atenção à sustentabilidade financeira.
Nesse cenário, o crédito consciente surge como um caminho para reduzir a inadimplência e ampliar a inclusão financeira, sem comprometer o orçamento das famílias.
