A promessa de colocar a picanha de volta no prato do brasileiro virou símbolo político mas, na prática, o cenário atual é outro. A inflação dos alimentos acelerou e itens básicos chegaram a subir até 28%, pressionando o bolso das famílias.
A fala de Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha de 2022, sobre “comer picanha e tomar uma cervejinha”, voltou ao debate diante da alta recente dos preços.
Preço da picanha e cerveja não sustentou queda
Após uma queda inicial de 10,69% no preço da carne no primeiro ano de governo, os dados mostram uma reversão nos anos seguintes.
Em 2024, a picanha subiu 8,74%, enquanto a cerveja teve alta de 4,5%.
Já em 2025, o movimento continuou:
Os números são do índice oficial de inflação, o IPCA, divulgado pelo IBGE.
Alimentos básicos puxam inflação recente
Mais do que carne e bebida, o que pesa agora são os itens do dia a dia.
A inflação de alimentos acelerou de 0,26% em fevereiro para 1,56% em março, sendo o principal fator da alta geral de 0,88% no período.
Dentro de casa, o impacto foi ainda maior:
- Alimentação no domicílio subiu 1,94%
- Em fevereiro, esse número era de apenas 0,23%
Os aumentos atingem diretamente produtos essenciais.
Altas dos alimentos chegam a 28% em itens populares
Alguns alimentos tiveram disparadas expressivas, muito acima da média da inflação.
Entre as maiores altas, o FDR destaca:
- Cenoura: 28%
- Abobrinha: 23,5%
- Tomate: 20,3%
- Cebola: 17,2%
- Feijão-carioca: 15,4%
- Batata-doce: 13,4%
- Leite longa vida: 11,7%
Esses produtos estão entre os mais consumidos pelas famílias, o que amplia o impacto no orçamento.
Nem tudo subiu: alguns alimentos recuaram
Apesar da pressão, alguns itens apresentaram queda de preços no mesmo período.
Entre os principais recuos:
- Abacate: -13,2%
- Laranja-baía: -8%
- Maçã: -5,8%
- Limão: -3,6%
- Açúcar refinado: -2,9%
Mesmo assim, o efeito geral ainda é de alta, já que os produtos que subiram têm maior peso no consumo.
Percepção da população acompanha os dados
A inflação também aparece na percepção dos brasileiros.
Levantamento do Paraná Pesquisas mostrou que:
- 73,7% notaram aumento de preços nos supermercados
- 68,4% acreditam que será difícil comprar picanha e cerveja até o fim do governo
A pesquisa ouviu 2.020 eleitores em 160 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais.
