O mercado brasileiro de delivery entrou em nova fase de disputa em 2026. iFood e 99 passaram a se movimentar diante da expansão da Keeta, plataforma ligada ao grupo chinês Meituan, que promete investir bilhões no país.

O embate envolve contratos com restaurantes, investigações no Cade e um debate regulatório que pode mudar as regras do jogo no setor.
Quem é a Keeta e por que ela preocupa?
A Keeta pertence à gigante chinesa Meituan, uma das maiores empresas de tecnologia e delivery do mundo.
A companhia anunciou investimento de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões) no Brasil entre 2025 e 2030. A meta inclui alcançar 15 regiões metropolitanas e até mil cidades.
No Rio de Janeiro, porém, a estreia foi adiada. A empresa alega que contratos de exclusividade dificultam o acesso a grandes redes de restaurantes, o que comprometeria a experiência do usuário.
Segundo a Keeta, mais da metade das grandes redes estaria “bloqueada” por acordos com concorrentes.
O domínio do iFood e o papel da 99
Hoje, o iFood concentra cerca de 80% do mercado de delivery no Brasil. A liderança consolidada transformou a empresa na principal força do setor.
Em 2023, o iFood assinou termo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), proibindo exclusividade com redes que tenham mais de 30 lojas.
Ainda assim, a Keeta afirma que práticas restritivas continuariam ocorrendo. O caso voltou a ser debatido no Cade.
Já a 99, tradicional no transporte por aplicativo, também ampliou atuação em entregas e alimentação. O movimento é visto como tentativa de fortalecer o ecossistema nacional diante da entrada agressiva da concorrente estrangeira.
O que está realmente em jogo
A disputa vai além da competição entre aplicativos. Estão em jogo:
- A concentração do mercado
- As regras de exclusividade com restaurantes
- A remuneração mínima de entregadores (debate em torno de R$ 8,50 por entrega)
- O preço final para o consumidor
A Keeta afirma que prefere adiar lançamentos a operar sem estrutura competitiva suficiente. Por outro lado, iFood e 99 defendem que o mercado segue aberto e regulado.
Os efeitos para consumidores e entregadores
Para o consumidor, mais concorrência tende a significar promoções e taxas menores. Entretanto, a consolidação de poucos players pode reduzir alternativas no longo prazo.
Para os entregadores, o cenário é duplo, pois, de um lado, novas plataformas ampliam oportunidades. De outro, o debate regulatório sobre remuneração mínima pode alterar o modelo atual.
O impasse envolvendo iFood e 99, ademais, expõe a dimensão estratégica do Brasil para gigantes globais. De todo modo, a disputa que começou nos bastidores agora ganha contornos públicos, com reflexos diretos no bolso de milhões de brasileiros.