SALESóPOLIS, SP — O whey protein deixou de ser “coisa de atleta” e virou atalho de praticidade para muita gente — inclusive quem não treina. Mas é aí que entra o alerta: o suplemento pode até caber na rotina de quem é sedentário, só que precisa de planejamento.

(Foto: Freepik)
Quando o consumo de whey protein entra “por fora” da dieta (sem ajustar o resto), o resultado pode ser o oposto do esperado.
A seguir, entenda o que realmente muda ao tomar whey sem atividade física, quais são os riscos mais comuns e quando ele pode ser útil.
O que é whey protein (e por que tanta gente usa)?
O whey protein é derivado do soro do leite e fornece uma quantidade concentrada de proteína, com aminoácidos essenciais importantes para funções do corpo.
Ele costuma ser associado a ganho de massa muscular, mas proteína também participa de manutenção de tecidos, produção de hormônios e suporte ao sistema imunológico.
Tomar whey sem treinar faz mal?
Nem sempre. O ponto central não é “tomou whey = engordou”, e sim como ele impacta o seu total do dia (calorias e proteínas). Especialistas destacam que, por si só, a ingestão de whey não causa ganho de peso; o que pesa é o balanço calórico diário.
Em outras palavras: se o suplemento faz você consumir mais calorias do que gasta, o excesso tende a ser armazenado como gordura.
Principais riscos do whey protein sem atividade física
1) “Calorias invisíveis” e ganho de gordura ao longo do tempo
Um erro comum é adicionar whey (em shakes, vitaminas, receitas) sem reduzir nada do restante. Esse “extra” pode elevar o total calórico e favorecer ganho de peso silencioso.
Exemplo típico: vitamina com leite + whey + banana + pasta de amendoim + aveia. Tudo pode ser saudável, mas o combo pode virar uma refeição bem calórica sem você perceber.
2) Escolher versões com açúcar e carboidratos adicionados
Nem todo whey é “só proteína”. Há produtos com adição de açúcares e carboidratos, elevando bastante o valor calórico — algo especialmente relevante para quem não pratica atividade física.
Dica prática de rótulo: compare “proteína por porção” e “calorias por porção”, e desconfie de listas longas de ingredientes quando o objetivo é apenas complementar proteína.
3) Trocar comida de verdade por suplemento (e desequilibrar a dieta)
Whey é prático, mas pode virar muleta: a pessoa troca refeições por shake e acaba reduzindo fibras e micronutrientes que viriam de alimentos (feijões, frutas, legumes, carnes, ovos, iogurtes).
Um bom norte é lembrar que, para adultos, recomendações gerais de proteína variam com contexto, e o ideal é manter o plano alimentar equilibrado.
4) Desconfortos gastrointestinais (principalmente por sensibilidade à lactose)
Inchaço e gases aparecem com frequência em quem é sensível à lactose presente no whey concentrado, e versões isoladas ou hidrolisadas podem ser melhor toleradas.
A Cleveland Clinic também destaca que whey isolate tende a ser mais baixo em lactose, podendo ser opção para algumas pessoas com intolerância (mas não é indicado para quem tem alergia ao leite).
5) Atenção extra para quem tem doença renal (ou suspeita)
Para pessoas com doença renal, a quantidade de proteína costuma precisar de ajuste, porque mais “resíduos” do metabolismo proteico podem aumentar o trabalho dos rins.
Isso não significa que “whey faz mal para todo mundo”, mas sim que quem tem condição renal (ou histórico/risco) não deve suplementar por conta própria.
Se você é adolescente: suplemento não é atalho obrigatório. Fale com um nutricionista e envolva um responsável antes de usar.
Quando o whey pode ajudar mesmo sem treino?
Há situações em que o whey pode ser um aliado, desde que orientado:
- idosos com dificuldade de bater a meta de proteína;
- dietas muito restritivas;
- rotina em que é difícil alcançar proteína só com alimentos.
O consenso trazido por especialistas é claro: sem exercício, o whey não é “vilão”, mas também não deve ser usado sem critério.

