Nutricionistas discutem riscos do whey protein sem atividade física: entenda!

SALESóPOLIS, SP — O whey protein deixou de ser “coisa de atleta” e virou atalho de praticidade para muita gente — inclusive quem não treina. Mas é aí que entra o alerta: o suplemento pode até caber na rotina de quem é sedentário, só que precisa de planejamento.

whey protein
Nutricionistas discutem riscos do whey protein sem atividade física: entenda!
(Foto: Freepik)

Quando o consumo de whey protein entra “por fora” da dieta (sem ajustar o resto), o resultado pode ser o oposto do esperado.

A seguir, entenda o que realmente muda ao tomar whey sem atividade física, quais são os riscos mais comuns e quando ele pode ser útil.

O que é whey protein (e por que tanta gente usa)?

O whey protein é derivado do soro do leite e fornece uma quantidade concentrada de proteína, com aminoácidos essenciais importantes para funções do corpo.

Ele costuma ser associado a ganho de massa muscular, mas proteína também participa de manutenção de tecidos, produção de hormônios e suporte ao sistema imunológico. 

Tomar whey sem treinar faz mal?

Nem sempre. O ponto central não é “tomou whey = engordou”, e sim como ele impacta o seu total do dia (calorias e proteínas). Especialistas destacam que, por si só, a ingestão de whey não causa ganho de peso; o que pesa é o balanço calórico diário

Em outras palavras: se o suplemento faz você consumir mais calorias do que gasta, o excesso tende a ser armazenado como gordura. 

Principais riscos do whey protein sem atividade física

1) “Calorias invisíveis” e ganho de gordura ao longo do tempo

Um erro comum é adicionar whey (em shakes, vitaminas, receitas) sem reduzir nada do restante. Esse “extra” pode elevar o total calórico e favorecer ganho de peso silencioso.

Exemplo típico: vitamina com leite + whey + banana + pasta de amendoim + aveia. Tudo pode ser saudável, mas o combo pode virar uma refeição bem calórica sem você perceber.

2) Escolher versões com açúcar e carboidratos adicionados

Nem todo whey é “só proteína”. Há produtos com adição de açúcares e carboidratos, elevando bastante o valor calórico — algo especialmente relevante para quem não pratica atividade física. 

Dica prática de rótulo: compare “proteína por porção” e “calorias por porção”, e desconfie de listas longas de ingredientes quando o objetivo é apenas complementar proteína.

3) Trocar comida de verdade por suplemento (e desequilibrar a dieta)

Whey é prático, mas pode virar muleta: a pessoa troca refeições por shake e acaba reduzindo fibras e micronutrientes que viriam de alimentos (feijões, frutas, legumes, carnes, ovos, iogurtes).

Um bom norte é lembrar que, para adultos, recomendações gerais de proteína variam com contexto, e o ideal é manter o plano alimentar equilibrado.

4) Desconfortos gastrointestinais (principalmente por sensibilidade à lactose)

Inchaço e gases aparecem com frequência em quem é sensível à lactose presente no whey concentrado, e versões isoladas ou hidrolisadas podem ser melhor toleradas.

A Cleveland Clinic também destaca que whey isolate tende a ser mais baixo em lactose, podendo ser opção para algumas pessoas com intolerância (mas não é indicado para quem tem alergia ao leite). 

5) Atenção extra para quem tem doença renal (ou suspeita)

Para pessoas com doença renal, a quantidade de proteína costuma precisar de ajuste, porque mais “resíduos” do metabolismo proteico podem aumentar o trabalho dos rins.

Isso não significa que “whey faz mal para todo mundo”, mas sim que quem tem condição renal (ou histórico/risco) não deve suplementar por conta própria.

Se você é adolescente: suplemento não é atalho obrigatório. Fale com um nutricionista e envolva um responsável antes de usar.


Quando o whey pode ajudar mesmo sem treino?

Há situações em que o whey pode ser um aliado, desde que orientado:

  • idosos com dificuldade de bater a meta de proteína;
  • dietas muito restritivas;
  • rotina em que é difícil alcançar proteína só com alimentos. 

O consenso trazido por especialistas é claro: sem exercício, o whey não é “vilão”, mas também não deve ser usado sem critério

 

Lila CunhaLila Cunha
Formada em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) desde 2018. Já atuou em jornal impresso. Trabalha com apuração de hard news desde 2019, cobrindo o universo econômico em escala nacional. Especialista na produção de matérias sobre direitos e benefícios sociais. Suas redes sociais são: @liilacunhaa, e-mail: lilacunha.fdr@gmail.com