SALESóPOLIS, SP — O Brasil encerrou o ano de 2025 com uma marca alarmante: o país registrou o maior número de denúncias de trabalho escravo de sua história.
Segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), foram 4.515 registros realizados ao longo do ano passado, consolidando uma tendência de alta que vem sendo observada desde 2021.

(Foto: MPT)
O aumento nas denúncias de trabalho escravo reflete tanto a persistência do crime em diversos setores quanto uma maior conscientização da população em utilizar canais como o Disque 100 e o Sistema Ipê.
Os números do recorde
A série histórica mostra que o salto nas notificações tem sido drástico. Em 2023, o país havia registrado 3.430 denúncias, número que já era considerado recorde na época. Em 2024, o volume subiu para cerca de 4 mil e, agora, os dados de 2025 confirmam o novo patamar de 4.515 casos.
Historicamente, o Sudeste lidera o ranking de denúncias, com destaque para os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No setor produtivo, a construção civil e o agronegócio (especialmente o cultivo de café e a criação de gado) continuam sendo as áreas com maior incidência de resgates.
O que caracteriza o trabalho escravo moderno?
Diferente da escravidão colonial, o trabalho análogo à escravidão hoje não se define apenas pela restrição de liberdade física. A legislação brasileira (Artigo 149 do Código Penal) identifica quatro elementos que configuram o crime:
- Trabalhos Forçados: Quando a pessoa é obrigada a trabalhar sob ameaça ou violência, sem poder rescindir o vínculo.
- Jornada Exaustiva: Expedientes que vão além do limite físico, colocando em risco a saúde e a vida do trabalhador.
- Condições Degradantes: Alojamentos precários, falta de saneamento, alimentação inadequada e ausência de água potável ou equipamentos de segurança.
- Servidão por Dívida: Quando o trabalhador é forçado a comprar alimentos e ferramentas do próprio patrão por preços abusivos, criando uma dívida impagável que o prende ao local.
Como reconhecer os sinais de trabalho escravo
Ficar atento a detalhes no cotidiano de propriedades rurais ou obras urbanas pode ajudar a salvar vidas. Alguns sinais de alerta incluem:
- Retenção de documentos: O patrão guarda o RG ou a carteira de trabalho do empregado “para segurança”.
- Vigilância armada: Presença de guardas ou pessoas armadas que impedem a saída dos funcionários.
- Isolamento geográfico: Trabalhadores trazidos de outros estados que não têm meios de transporte para retornar ou sequer sabem onde estão.
- Falta de higiene extrema: Trabalhadores dormindo em currais, galpões ou locais sem banheiros.
Como denunciar trabalho escravo?
A denúncia é fundamental para que as equipes de fiscalização móvel possam agir. O processo é anônimo e pode ser feito pelos seguintes canais:
- Disque 100: Central de Direitos Humanos (gratuito e funciona 24h).
- Sistema Ipê: Plataforma online específica para denúncias de trabalho escravo (ipe.sit.trabalho.gov.br).
- Ministério Público do Trabalho (MPT): Através do portal ou aplicativo “MPT Pardal”.

