SALESóPOLIS, SP — Se você perdeu seu documento de identidade recentemente, sua primeira reação provavelmente foi buscar como tirar a “segunda via do RG”. No entanto, o Governo Federal e os órgãos de identificação estaduais agora fazem um alerta: não solicite o modelo antigo.

(Foto: Jeane de Oliveira/FDR)
A recomendação atual é a migração imediata para a CIN (Carteira de Identidade Nacional). Mas por que o governo está desencorajando a emissão do documento tradicional?
A resposta envolve segurança digital, economia de tempo e a unificação de dados que mudará a forma como o brasileiro se identifica.
O fim do “RG por estado” e a chegada da CIN
Até pouco tempo atrás, cada cidadão poderia ter até 27 números de RG diferentes (um em cada estado do Brasil). Isso facilitava fraudes e gerava uma confusão burocrática imensa.
A CIN resolve esse problema ao utilizar o CPF como número único de identificação em todo o território nacional. Se você emitir um novo RG no modelo antigo, estará apenas adiando uma troca que se tornará obrigatória em breve.
As 5 principais vantagens que justificam a troca
O governo justifica o incentivo à CIN através de pilares tecnológicos que o RG antigo não possui:
1. Segurança Máxima com Blockchain e QR Code
A nova carteira conta com um QR Code, que pode ser lido por qualquer smartphone para verificar a autenticidade do documento e saber se ele foi furtado ou extraviado. Além disso, os dados são protegidos por tecnologia Blockchain, tornando as informações imutáveis e extremamente difíceis de falsificar.
2. Versão Digital no Celular
Ao emitir a CIN física, você ganha automaticamente a versão digital no aplicativo Gov.br. Ela tem a mesma validade jurídica do papel e pode ser apresentada em aeroportos, bancos e órgãos públicos.
3. Padrão Internacional de Viagem
A CIN possui o código MRZ (Machine Readable Zone), o mesmo utilizado em passaportes. Isso facilita a verificação em guichês migratórios e permite o uso do documento para viajar pelos países do Mercosul com muito mais facilidade.
4. Integração com Programas Sociais (Obrigatoriedade 2026)
A partir de maio de 2026, a biometria e os dados da CIN serão fundamentais para a manutenção de benefícios como Bolsa Família, BPC e aposentadorias do INSS. O governo utiliza essa base de dados para garantir que o benefício chegue a quem realmente precisa, combatendo saques indevidos.
5. Primeira Via Gratuita
Diferente da segunda via do RG antigo, que muitas vezes exige o pagamento de uma taxa estadual, a primeira emissão da CIN é gratuita para todos os cidadãos, conforme lei federal.
Comparativo: RG Tradicional vs. Nova CIN
| Característica | RG Antigo | Carteira de Identidade Nacional (CIN) |
| Número de Identificação | Número do RG (varia por estado) | CPF (Número único nacional) |
| Tecnologia | Papel simples com filme plástico | QR Code e Blockchain |
| Versão Digital | Nem todos os estados possuem | Sim (via App Gov.br) |
| Validade Internacional | Limitada | Padrão MRZ (estilo Passaporte) |
| Custo (1ª via) | Variável por estado | Gratuita em todo o Brasil |
Qual é o prazo para fazer a troca?
Embora o governo recomende a troca agora (especialmente em casos de perda ou renovação), o RG antigo ainda terá validade até 23 de fevereiro de 2032.
Após essa data, apenas a CIN, a CNH e o Passaporte serão aceitos como documentos oficiais de identificação.
Importante: Idosos acima de 60 anos têm a opção de manter o documento antigo com validade indeterminada, mas a recomendação de migrar para a CIN permanece devido à segurança extra contra golpes financeiros.
Como solicitar a sua nova CIN?
Para realizar a troca, basta agendar o atendimento no órgão de identificação do seu estado (como o Poupatempo em SP, o Detran no RJ, ou o IGP no RS). Os documentos necessários são:
- Certidão de Nascimento ou Casamento (original ou cópia autenticada);
- CPF regularizado junto à Receita Federal.
Também é recomendado levar todos os documentos que deseja adicionar a CIN, como carteira profissional, número do SUS e etc.

