O salário mínimo do Brasil saiu de R$ 100 em 1995 e alcançou R$ 1.518 em 2025.
Entretanto, esse crescimento nominal não significa, automaticamente, mais poder de compra.
Ao longo de três décadas, a política de reajustes mudou várias vezes.
Por isso, entender quando houve ganho real e quando houve apenas correção pela inflação é essencial para interpretar o impacto no seu orçamento.
Aqui, entretanto, você confere a evolução ano a ano, os períodos de valorização real. Desse modo, os momentos de perda e o que isso representa na prática para trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais.
Tabela oficial: salário mínimo de 1995 a 2025
Abaixo está a tabela com o maior valor vigente em cada ano, ou seja, o valor final após todos os reajustes.
| Ano | Salário mínimo (R$) |
|---|---|
| 1995 | 100,00 |
| 1996 | 112,00 |
| 1997 | 120,00 |
| 1998 | 130,00 |
| 1999 | 136,00 |
| 2000 | 151,00 |
| 2001 | 180,00 |
| 2002 | 200,00 |
| 2003 | 240,00 |
| 2004 | 260,00 |
| 2005 | 300,00 |
| 2006 | 350,00 |
| 2007 | 380,00 |
| 2008 | 415,00 |
| 2009 | 465,00 |
| 2010 | 510,00 |
| 2011 | 545,00 |
| 2012 | 622,00 |
| 2013 | 678,00 |
| 2014 | 724,00 |
| 2015 | 788,00 |
| 2016 | 880,00 |
| 2017 | 937,00 |
| 2018 | 954,00 |
| 2019 | 998,00 |
| 2020 | 1.045,00 |
| 2021 | 1.100,00 |
| 2022 | 1.212,00 |
| 2023 | 1.320,00 |
| 2024 | 1.412,00 |
| 2025 | 1.518,00 |
Como era o salário mínimo antes de 1995
Antes do Plano Real, o Brasil convivia com inflação altíssima. Por esse motivo, o salário mudava várias vezes dentro do mesmo ano.
Em julho de 1994, com o lançamento do real, o mínimo era de R$ 64,79. Poucos meses depois, subiu para R$ 70 e, em maio de 1995, chegou oficialmente a R$ 100, abrindo o novo ciclo monetário.
A partir daí, os reajustes passaram a ocorrer quase sempre uma vez por ano.
O que explica o crescimento acelerado entre 2003 e 2016
A partir de 2003, o salário mínimo entrou em uma fase inédita de valorização real.
Em vez de corrigir apenas a inflação, o governo adotou uma regra clara:
correção do INPC + crescimento do PIB de dois anos antes.
Esse modelo provocou aumentos acima da inflação durante mais de uma década. Então, na prática:
- O salário mínimo mais que dobrou entre 2003 e 2010.
- Em 2011, a política virou lei.
- Até 2016, os reajustes seguiram favorecendo o ganho real.
Consequentemente, houve crescimento do poder de compra, expansão do consumo e claro que, o aumento da renda de milhões de famílias.
Por que entre 2017 e 2022 o salário praticamente “andou de lado”
Entre 2017 e 2022, a política de valorização foi interrompida. Assim, a regra passou a prever somente correção pela inflação. Isso significa que:
- O salário subia no papel.
- Porém, o trabalhador não comprava mais com o mesmo dinheiro.
- Em alguns anos, houve até perda real devido à inflação mais alta que o reajuste.
Durante esse período, quem recebia salário mínimo sentiu no bolso o encarecimento dos alimentos, do gás e da energia, sem aumento proporcional no rendimento.

Nova política a partir de 2023: o ganho real voltou?
Em 2023, a política foi retomada. Agora, o cálculo funciona assim:
- Inflação do ano anterior
- crescimento do PIB
- com limite de impacto fiscal
Isso explica por que:
- 2023 teve dois reajustes.
- 2024 subiu de forma significativa.
- 2025 superou R$ 1.500.
Ainda assim, o governo passou a limitar ganhos muito altos. O objetivo, sobretudo, é proteger as contas públicas sem abandonar a valorização social.
Salário mínimo x salário ideal: a diferença que assusta
O DIEESE calcula o chamado salário mínimo necessário. Esse valor representa o custo para sustentar uma família com dignidade.
Em 2024, esse valor médio ficou na faixa de R$ 6.700. Em 2025, passou da casa dos R$ 7.000. Ou seja:
- O salário legal cobre menos de 25% do valor considerado ideal.
- A diferença ajuda a explicar o crescimento do endividamento das famílias.
- Além disso, justifica o aumento da informalidade e dos “bicos”.
Por que o salário mínimo influencia muito além do trabalhador
O salário mínimo não afeta somente quem trabalha. Afinal, ele impacta diretamente:
- Aposentadorias do INSS
- Benefício de Prestação Continuada (BPC)
- Seguro-desemprego
- Abonos salariais
- Pensões e auxílios sociais
Então, quando o mínimo aumenta, toda essa cadeia sobe junto. Por esse motivo, cada reajuste gera impacto bilionário nas contas públicas.
O que esperar para os próximos anos?
Se o PIB seguir positivo e a inflação controlada, os reajustes reais continuam.
Entretanto, se houver crise econômica, o governo pode:
- limitar os aumentos,
- reduzir o ganho real,
- ou travar reajustes por tempo determinado.

O futuro do salário mínimo depende sobretudo:
- do crescimento da economia,
- da política fiscal,
- e das decisões do Congresso.
Apesar de crescer mais de 15 vezes desde 1995, o salário mínimo ainda está longe de garantir conforto financeiro.
Houve momentos de forte valorização. Contudo, também houve períodos de estagnação. Entender essa linha do tempo permite ao trabalhador:
- planejar melhor seu orçamento,
- acompanhar seus direitos,
- e cobrar políticas mais eficientes.
Acompanhar o salário mínimo é, sobretudo, acompanhar a própria qualidade de vida.

