A guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia intensificaram uma tendência de aumento de preços em todo o mundo. Os países europeus estão sendo especialmente impactados por esses fatores, com os preços do gás, dos combustíveis e da energia elétrica subindo a cada mês.
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Na Alemanha, a inflação chegou a 7,9% em maio, o maior índice em quase 50 anos. Para tentar aliviar um pouco o orçamento das famílias, o governo alemão resolveu criar um bilhete que tornará o transporte público praticamente gratuito durante três meses, de junho até agosto.
O bilhete custa 9 euros, o que equivale atualmente a R$ 46, e permite aos cidadãos usar trens, ônibus, metrôs e balsas quantas vezes desejarem, durante os três meses. O valor é considerado baixíssimo se comparado à renda média dos alemães e ao custo de itens básicos, como comida, combustível e as passagens normais do transporte público.
O novo bilhete é mais barato, por exemplo, que uma refeição comum nos restaurantes de Berlim e outras capitais do país. Em alguns cidades, como Colônia, ele é mais barato do que o custo diário para se locomover entre o subúrbio e o centro.
A novidade já está fazendo enorme sucesso entre os alemães, que haviam comprado 7 milhões de unidades do novo bilhete antes mesmo de ele entrar em vigor, na quarta-feira (1). A medida, que terá custo de 2,5 bilhões de euros para o governo central, tende a estimular o uso do transporte público, ainda mais se considerando o alto custo dos combustíveis no momento, mesmo após corte de impostos sobre a gasolina.
Além de uma tentativa de aliviar o custo de vida, o bilhete de 9 euros atende a uma pressão de ecologistas, sobretudo os membros do Partido Verde, que atualmente integra o governo alemão, juntamente com os social-democratas. A ideia é que a migração de cidadãos do transporte particular para o transporte público reduzirá consideravelmente as emissões de gases poluentes.
Outros países europeus já adotam um esquema semelhante. Na Áustria, desde o ano passado, é possível usar o transporte público por no máximo 3 euros por dia (R$ 15). Já o governo de Luxemburgo foi além e, desde 2020, garante transporte gratuito para todos os cidadãos.
Essa gratuidade já existe há algum tempo em outras localidades da Europa, como Talinn, capital da Estônia, e várias cidades na França, como Estrasburgo e Dunquerque. Mas agora, o que parecia muita “modernidade”, pode se tornar uma realidade imposta pela inflação e pelas mudanças climáticas.