Especialista explica como funciona o financiamento imobiliário e quais as propostas mais atrativas

Especialista esclarece dúvidas sobre o financiamento imobiliário. O sonho da casa própria ainda parece ser algo inalcançável para muitos brasileiros. Com o país em crise, comprar o imóvel avista é algo inviável, de modo que aumente a busca pelas linhas de crédito. Abaixo, veja uma entrevista exclusiva sobre o assunto.

Especialista explica como funciona o financiamento imobiliário e quais as propostas mais atrativas (Imagem: Reprodução/Google)
Especialista explica como funciona o financiamento imobiliário e quais as propostas mais atrativas (Imagem: Reprodução/Google)

Se você deseja financiar o seu primeiro imóvel, mas não está seguro dessa decisão, é preciso buscar mais informações a respeito. O contrato de um financiamento pode ser algo positivo, assim como também se transformar em uma grande dor de cabeça.

Buscando esclarecer dúvidas sobre essa linha de crédito, o FDR convidou o consultor imobiliário Paulo Granjeiro para uma entrevista exclusiva. No texto abaixo, ele explica como funcionam as taxas de juros, quais as propostas mais atrativas, documentação necessária e mais. Acompanhe.

Quanto preciso ter na conta para dar entrada em um financiamento?

De regra não precisa ter dinheiro na conta pra tentar um financiamento aprovado, mas precisa ter o valor do sinal que será passado ao vendedor do imóvel. Não precisa ser necessariamente dinheiro, pode ser um bem por exemplo, porque os bancos só financiam 80%  no máximo do valor do imóvel,  e em alguns  casos excepcionais até 90%. O que é necessário é que ter capacidade de pagamento do valor das parcelas, e o perfil de crédito favorável que vai ser analisado pela instituição bancária, como renda, dívidas, garantias, processo judicias, dentro outros fatores.

Quais são as melhores linhas de créditos ofertadas atualmente?

O consórcio imobiliário e o crédito associativo são as que tem o melhor custo benefício porque se paga juros muito menores ao quitar o débito no final.  Mas não são as mais usuais porque é necessário ter a carta de crédito aprovada no pelo consórcio, o que geralmente acontece com um lance alto, ou 50 % do consórcio pago. E o crédito associativo só é possível se você fizer parte de uma cooperativa de crédito.

É obrigatório pagar uma taxa de abertura de cadastro?

Não é obrigatório pagar taxa de abertura de cadastro.

Se a pessoa antecipar as parcelas, tem direito a desconto?

Sim, ela amortiza o débito, consegue diminuir o valor total da dívida, da parcelas  e dos juros.

O consumidor precisa pagar uma taxa de antecipação de parcelas?

Não é necessário  pagar taxa para antecipar parcelas.  Mas é prudente simular a amortização nos aplicativos dos bancos ou pessoalmente na   agência bancária.

É possível transferir o financiamento para outra pessoa?

Não se transfere financiamento para outra pessoa, porque  o crédito é pessoal.  Será feito um novo financiamento, de acordo com o perfil econômico dessa nova pessoa, com juros e condições que podem ser iguais, melhores, ou piores, a depender do momento e  das condições de crédito  do novo contratante.

É possível trocar a data de vencimento do financiamento?

Sim, será necessário entrar em contato com seu banco e justificar o motivo da mudança, que pode por exemplo, ser a mudança da data do seu recebimento de salário por exemplo.

Se o consumidor fez um financiamento, mas se arrependeu, ele pode canelar o contrato?

Sim, mas antes que o contrato seja registrado no Cartório de imóveis, depois de registrado é quase impossível, a não ser que tenha havido alguma fraude do vendedor. Se for antes do registro do contrato no cartório é possível cancelar direto com o banco, mas as taxas já pagas pelo comprador, bem como a avaliação de engenharia que também é paga pelo comprador ele não tem como reaver.

Os financiamentos oferecidos pelas diferentes instituições financeiras têm sempre a mesma taxa de juros?

Não, os juros variam de banco pra banco, cliente pra cliente. Mas os bancos públicos determinam   o norte do valor dos juros imobiliários, que os bancos privados acabam pegando como referência. Se você tem crédito aprovado na Caixa por exemplo e tem conta em um banco privado e leva essa condição pra esse banco é quase certo que eles cheguem nessa mesma condição para não perder o negócio.

Quais os documentos necessários para o registro de imóveis?

São muitos. Ao menos três vias do contrato de financiamento com reconhecimento de assinaturas de todas as partes, bem como diversas certidões negativas do imóvel, dos vendedores, certidões do estado civil atualizadas dos vendedores e compradores, dos órgãos da prefeitura, e estaduais. O ideal é você pegar a relação no Cartório de imóvel respectivo do imóvel. Podendo o imóvel pedir documentos adicionais tanto do imóvel como das partes.

Qual é o prazo para aprovação de um financiamento?

Atualmente, muito rápido. Em geral quando você vai no Banco e já sai de lá sabendo se tem margem ou não pra financiamento se levar sua documentação completa.

O que devo fazer depois de quitar o financiamento?

Solicitar o documento de baixa da alienação ao banco e averbar no cartório de registro de imóveis respectivo.

Qual é o prazo para fazer o registro de imóvel?

Não tem prazo definido, de um modo geral a documentação estando toda em ordem 30 dias. Mas pode demorar mais tempo se houver exigências documentais pelo cartório de imóveis do imóvel, como do pagamento dos tributos, como das partes.

Por que o imóvel deve ser registrado?

O registro é o ato que confirmar e garante   qualquer   direito e/ou situação relativo ao imóvel ou a sua propriedade. Há um ditado no meio imobiliário que só é dono quem registra. O banco só repassa ao vendedor o crédito de um imóvel financiado quando o registro da alienação fiduciária é concluído no cartório de imóveis, e a respectiva certidão é apresentada ao Banco.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.