Por que as ações do Nubank não param de cair? O que pode acontecer? É hora de investir?

Pontos-chave
  • As ações do Nubank vêm caindo desde a entrada na bolsa de valores;
  • O cenário macroeconômico tem afetado diretamente fintechs;
  • Analistas possuem visão cautelosa sobre a compra de ações da empresa.

Nesta terça-feira (24), as ações do Nubank renovaram as mínimas históricas. Diante da redução generalizadas de ativos de tecnologia de Nova York, o banco digital registrou US$ 11,5 bilhões em valor de mercado. Os papéis da fintech fecharam em baixa de 10,96%, a US$ 3,33.

Por que as ações do Nubank não param de cair? O que pode acontecer? É hora de investir?
Por que as ações do Nubank não param de cair? O que pode acontecer? É hora de investir? (Imagem: Montagem/FDR)

Diante do fechamento recente, as ações superaram o menor valor já registrado pelo Nubank, de US$ 3,69. Desde a oferta inicial de ações, que aconteceu em dezembro do ano passado, as ações da fintech já desvalorizaram 63% na bolsa de valores.

Por que as ações do Nubank não param de cair?

Ao Estadão, o analista de research da Warren, Gustavo Pazos, afirma que a fintech é uma companhia que aumentou a base de clientes de modo exponencial. Isso aconteceu por meio de serviços mais eficientes no digital e menos burocráticos — e também gratuitos.

No entanto, o banco digital enfrenta uma desconfiança pelos investidores, porque parece ter dificuldades em monetizar essa base de clientes.

Na oferta inicial de ações, se entendia que, no modelo de negócio da companhia, esse seria um ponto de atenção. No entanto, talvez o mercado tenha subestimado esse desafio.

O economista, analista CNPI, e fundador da escola Eu me banco, Fabio Louzada, afirma, ao Estadão, que a fintech já iniciou valendo bastante. Na visão do especialista, o Nubank tinha um valuation que não representava a realidade de uma instituição que possuiria — e possui — desafios pela frente.

Há pouco tempo, a governança do banco digital também chamou a atenção dos investidores. Para este ano, o Nubank enviou um formulário que prevê um potencial pagamento de R$ 804,4 milhões aos oito integrantes da diretoria executiva da instituição.

Como a fintech ainda é uma empresa que não deu lucro, essa quantia expressiva causou polêmica no mercado. Segundo Pazos, esse movimento foi observado de modo bastante negativo.

Além de fundamentos do próprio banco digital, também pesa o cenário macroeconômico.

Uma parte da desvalorização atual é comum a todo o segmento tecnológico — que passa por um cenário adverso. Isso porque o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) aumentou a taxa de juros.

As techs são companhias de crescimento, que necessitam de dinheiro para o financiamento da expansão de seus modelos de negócios. Com isso, o segmento tende a ser mais prejudicados pelo aumento nos juros.

Ao Estadão, o analista de renda variável da Kínitro Capital, Lucas Ribeiro, afirma que este ponto atribui mais de 80% da desvalorização do Nubank.

O que pode acontecer?

Essa tendência de alta dos juros e o crescimento global menor têm afetado fintechs pelo mundo. Este também é o caso do Nubank.

Diante desta alteração de cenário, aliada à inflação e contexto de guerra entre Rússia e Ucrânia, aumentou o risco para desembolso de crédito. Isso coloca em xeque a velocidade do crescimento futuro do banco digital.

Recentemente, analistas vêm se perguntando se o cliente, que realizou empréstimo, terá condição de realizar o pagamento.

Segundo o Itaú BBA, “isso aumenta o risco de o Nubank eventualmente ter de frear a originação (concessão de crédito), diminuindo o ritmo de monetização e diminuindo as esperanças para 2023”.

Sobre a queda recente das ações, o CEO do Nubank, David Vélez, afirma que a fintech segue focada “na construção e na mesma estratégia”. Ele destaca que o banco possui estratégia no longo prazo. A afirmação foi realizada nesta semana, no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos (Suíça).

Apesar da oscilação nas ações, o Nubank apresentou números melhores no balanço do primeiro trimestre deste ano. A companhia teve lucro líquido ajustado de US$ 10,1 milhões no período. Há um ano, tinha sido registrada uma perda de US$ 13,1 milhões.

Em teleconferência de resultados, o fundador e CEO do Nubank afirma que “esse foi o trimestre mais forte da história do Nu”. Segundo o executivo, a empresa chegou a quase 60 milhões de clientes, e uma taxa de atividade recorde de 78%.

Segundo ele, “nossa fórmula de geração de receitas ajudou a impulsionar o resultado trimestral, que alcançou o valor recorde de US$ 887 milhões (+226% FXN na comparação com o 1T21), com baixo custo de aquisição de clientes, aumento da receita por cliente e redução do custo de serviço”.

“Apesar da recente volatilidade do mercado no curto prazo e da proximidade do fim do nosso período de lock-up, continuamos com total confiança e comprometimento com a criação de valor de longo prazo, como foi reiterado por nossos principais acionistas”, declara Velez.

Recentemente, o fundador do Nubank passou a integrar a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2022. O ranking foi realizado pela revista Time.

O aumento dos juros afeta diretamente o desempenho de empresas de tecnologia
O aumento dos juros afeta diretamente o desempenho de empresas de tecnologia (Imagem: Montagem/FDR)

É hora de investir nas ações do Nubank?

A Nord tem a recomendação de ficar fora das ações do Nubank. Segundo a analista CNPI da Nord, Danielle Lopes, “a maré de azar está longe de acabar”.

Segundo a especialista, “após enormes promessas no prospecto de IPO (de um crescimento que não virá), o Nubank passa por dificuldades de oferecer empréstimos e créditos com juros de volta aos dois dígitos no Brasil”. Além disso, a fintech “passa por mais complicações com a alta de juros lá fora”.

A polêmica sobre a remuneração dos principais executivos também pesa na situação do Nubank. Se a fintech alcançar metas relativas ao valor das ações, como bônus, o CEO David Vélez receberia R$ 670 milhões. No entendimento de Lopes, essa remuneração é ruim.

Os motivos para evitar os papéis do Nubank são a dificuldade para desenvolver os resultados, monetizar a base de clientes, governança atrelada à promessa de ganhos em cima das ações e o cenário macro.

O Itaú BBA tem recomendação ‘underperform’ (equivalente à venda) para as ações do banco digital. A instituição alega que, de modo geral, os resultados do primeiro trimestre do Nubank indicam “uma boa execução em termos de crescimento de receita”.

No entanto, o BBA alega que “o Nubank também está enfrentando desafios de custo e crédito”.

Na outra ponta, o BTG Pactual aumentou a recomendação de venda para neutra. Isso aconteceu depois da divulgação do balanço do primeiro trimestre da fintech. Os números foram vistos como “fortes”.

Na avaliação do BTG, o Nubank é uma máquina de crescimento — e pode ser “algo” nunca visto anteriormente.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Desde 2019 dedica-se à redação do portal FDR, onde tem acumulado experiência e vasto conhecimento na área ligada a economia, finanças e investimentos. Além disso, Silvio produz análises sobre produtos e serviços financeiros, sempre prezando pela imparcialidade e informações confiáveis.