Campanha eleitoral deve movimentar a economia brasileira; especialista explica os motivos

Ano de eleições afeta diretamente a economia. Nessa semana, um novo balanço econômico relevou que o Brasil ocupa o 3º lugar com uma das piores inflações entre os países da América Latina. Há diversos motivos para tal situação, principalmente os desdobramentos políticos dos últimos meses. Abaixo, confira uma entrevista exclusiva sobre esse assunto.

A recuperação econômica do Brasil está entre os principais desejos da população. Para os mais pobres, por comida na mesa se tornou um ato quase que impraticável. Já a classe média, sobre com o encarecimento no valor de produtos e serviços. Mas como as eleições podem mudar essa realidade?

Buscando debater sobre essa temática, o FDR convidou o professor da UNIFIEO, Marco Antonio Cordeiro para uma entrevista exclusiva. Abaixo, ele apresenta um panorama do cenário político e econômico, com possíveis previsões de recuperação financeira. Confira:

Como e por que as eleições afetam o bolso da população?

Toda eleição geralmente é a disputa entre o atual governo e oposição. Em ano eleitoral há algumas proibições fiscais, que restringem ações sociais ou qualquer ato que possa promover o governo como forma de promoção ou propaganda eleitoral; mas é possível sim a manutenção do programa de governo, bem como a execução do Orçamento da União, não impedindo em nada a assistência a população. De forma direta as eleições não afetam o bolso da população, porém o Mercado fica mais sensível no ano eleitoral, de forma que a Bolsa de Valores reage pelas incertezas e falas dos principais candidatos, e isso pode gerar fuga de capital, ou seja, o dinheiro dos investidores (capital especulativo), sai do Brasil e vai para outro país, como menos dinheiro em circulação, podemos ter uma redução na produção e até aumento do desemprego.

De forma prática e direta, quais serão os principais impactos para os trabalhadores?

Praticamente tudo, pois no ano de eleições, a agenda de aprovações de leis, reformas (como a reforma tributária por exemplo), ficam paradas, pois os deputados e senadores estão preocupados na reeleição, e não na aprovação de leis e reformas que possam beneficiar a população, até porque se o benefício ocorrer de forma rápida poderá ajudar a reeleição do atual governo (federal ou estadual).

A inflação vai baixar ou subir? Há uma previsão?

O Brasil trabalha com Metas de Inflação, publicada na página do Banco Central, e opera com instrumentos de política monetária para atingir a meta ou sua variação permitida. A inflação tende a se manter no nível que está, e na verdade já está bem difícil para o povo brasileiro, porque o reajuste salarial não acompanhou a inflação ou conseguiu repor suas perdas. Uma previsão realista seria algo entre 8% e 10% a.a.

E o botijão de gás? O que o mantém com o valor mais alto?

É um produto caro hoje em dia, embora o Brasil em 2021 tenha atingido produção recorde, ainda há necessidade de importação, e vale lembrar que o Governo Lula doou uma refinaria de gás na Bolívia, a qual abastecia o mercado brasileiro; por ser um produto importado e commodity, sofremos com a demanda e oferta de mercado, além da taxa de câmbio.

Com relação a empregabilidade, qual governo parece ser mais promissor?

Dependemos muito da Economia Mundial, pois ela pode determinar o Brasil como um dos países mais seguros para receber investimentos e capital (especulativo). O governo que tiver como pauta a segurança da liberdade, da democracia, e isto significa ficar longe do socialismo, poderá atrair mais capital e com isso maior produção, que irá demandar mais trabalhadores (irá gerar mais empregos). Do ponto de vista interno o governo precisará da reforma tributária e, ou qualquer outra reforma que possa tornar o produto brasileiro mais competitivo, e com isso aumentar nossas exportações, e por consequência a produção, elevando o índice de emprego. Na verdade, dependemos muito mais da composição da Câmara dos Deputados e Senado para um governo mais promissor.

No que diz respeito aos benefícios sociais, deve-se esperar o fim ou manutenção do Auxílio Brasil?

Neste momento a probabilidade é a manutenção do Auxílio Brasil até o fim de 2022. Para 2023 é necessário ver o que será aprovado como Orçamento.

As contas de luz devem permanecer com tarifas altas? O que é preciso para barateá-las?

Todo e qualquer serviço no Brasil pode ter seu valor reduzido através da redução dos impostos embutidos em cada um deles. Na Conta de Luz, por exemplo a alíquota de ICMS em São Paulo é de 25%, fora os demais impostos como Pis, Cofins, entre outros, pagamos mais de impostos do que o valor da energia. No governo Dilma, as contas foram subsidiadas, como estratégia de eleição, mas as pressões inflacionárias ocorreram nos anos seguintes, então sentimos o aumento de forma muito mais abrupta, ao invés da conta de luz ter tido pequenos aumentos em cada ano.  Deve ter uma redução, até mesmo porque as chuvas ajudaram em muito. Mas o governo precisa pensar na questão tributária (impostos).

O Brasil está realmente em crise econômica? Por quais motivos?

A palavra “crise” em alguns momentos parece muito forte, mas podemos sim afirmar crise qualquer situação que não está tão bem. O principal fator é a falta de dinheiro!

Embora a arrecadação seja alta, os gastos de custeio (manutenção da máquina pública) e gastos de transferências (aposentadorias, pensões, auxílios), consomem quase todo valor, não sobrando recursos para investimentos, o que poderia gerar empregos. A pandemia agravou o problema, pois forçou a parada de produção e por consequência a redução do PIB, e agora a Guerra da Ucrânia para tornar instável o preço do petróleo, gás, trigo e fertilizantes.

Qual o maior desafio (economicamente falando) do próximo presidente?

Conseguir cumprir uma agenda de reformas, está sem dúvida é o maior desafio do próximo presidente. A reforma tributária, uma nova faixa para o imposto de renda, a isenção de impostos para alguns produtos; o controle de gastos do governo, e porque não pensar em “enxugar” gastos de toda esfera governamental (municipal, estadual e federal). Está na hora da população brasileira viver os benefícios de seus impostos pagos, através da saúde, educação, segurança, moradia e meios de transportes.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.