Cientista político traz um panorama da economia nacional a partir das eleições de 2022

Pontos-chave
  • O FDR convidou o cientista político Marco Antônio Cordeiro, professor do Centro Universitário FIEO

Em ano de eleição, candidatos à presidência devem mover a economia nacional. Em outubro, a população deverá participar de mais um ato de cidadania, definir o novo líder de estado do Brasil. Atualmente, há dois grandes nomes na disputa, o atual gestor, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Abaixo, saiba sobre suas propostas e possíveis impactos.

As eleições de 2022 para presidente da república já está entre os assuntos mais falados no país. Muitos cidadãos passaram a se questionar sobre o futuro econômico e social de modo que seja de extrema importância ter conhecimento sobre os candidatos.

Para debater sobre esse assunto, o FDR convidou o cientista político Marco Antônio Cordeiro, professor do Centro Universitário FIEO. Em entrevista exclusiva, ele traz uma análise da atuação de Lula e Bolsonaro e possíveis desdobramentos econômicos. Confira:

Atualmente, qual possível presidente seria mais positivo para a economia nacional, Lula ou Bolsonaro?

Esta pergunta é difícil a resposta, pois não sabemos o projeto de cada um para os próximos anos, mas podemos entender duas situações:

  • Lula é um progressista e irá facilitar os gastos do governo, na tentativa de promover o desenvolvimento
  • Bolsonaro está trabalhando com privatizações, e marcos de infraestrutura o que está atraindo capital e investimentos

Desta forma temos praticamente um equilíbrio entre os dois candidatos, o interessante é observamos na proposta de cada um, qual poderá gerar maior número de empregos, o que fortalecerá a economia.

Na pasta econômica, quais as maiores diferenças na política de Lula e de Bolsonaro?

A autonomia do Banco Central e o limite/ teto de gastos defendido por Bolsonaro nos coloca em uma economia mais moderna, mais atrativa para investimentos externos. E vale lembrar, que a Lei da Responsabilidade Fiscal (controle de gostos do governo), é um dos pilares de sustentação do Plano Real, o que nos garante desde 1994 uma “certa estabilidade” na questão político-econômica.

O governo de Lula foi no passado, muitas coisas mudaram tanto na economia, como no mundo, mas, em muitas situações ele se mantem conservador a política antiga, e um forte apelo através dos gastos do governo, o que pode gerar além de um grande endividamento, o retorno de altas taxas de inflação.

A quais grupos sociais e econômicos os líderes políticos favorecem?

O governo Lula favoreceu em muito os Bancos, pois através de substituição da dívida externa pelo aumento da dívida interna, o Brasil (governo), passou a ser o maior tomador de dinheiro dos bancos, o que até explica o altíssimo lucro dos Bancos. Favoreceu também os grandes grupos da área da educação, através do Fies, que passou a receber recursos de uma só vez, (semestral ou anual). Outros setores também beneficiados, como o setor automotivo, entre eles.

Já o governo Bolsonaro favoreceu mais o setor do agronegócio e as empresas alimentícias, tanto para expansão das exportações, como para redução dos preços ao consumidor final.

Mas nenhum dos dois governos possuía um plano de desenvolvimento para algum setor da economia, podemos dizer que atitudes populistas desses governantes favoreceram alguns setores. É claro que em cada governo sempre haverá um setor em maior favorecimento, inclusive pelo “lobby” político que há em cada gestão.

Lula reeleito é garantia de uma melhoria na economia nacional?

Não, pois dependemos muito da economia externa. O que acontece no mundo reflete diretamente no Brasil.  E também é necessário ver como o mercado internacional irá reagir a uma possível vitória de Lula nas eleições; pois se isso for traduzido como risco aos investimentos, poderá gerar uma fuga de capitais e agravar a crise econômica brasileira.

O que levou o governo de Bolsonaro ao atual cenário de extrema crise econômica?

A herança de uma economia sem dinheiro, com recursos emprestados, e obras realizadas em países que hoje são inadimplentes com o Brasil.

Setores que foram subsidiados para segurar aumento de preços em época de eleições, e quando da ruptura a pressão inflacionaria, exemplo: energia elétrica.

A pandemia do Covid-19, que mundialmente afetou todas as economias

E mais recente, a Guerra da Rússia com a Ucrânia.

O que será preciso para retomar o desenvolvimento econômico e social do país?

  • Para garantir o desenvolvimento, é necessário manter as Metas de Inflação, o Regime de Câmbio Flutuante e a Lei da Responsabilidade Fiscal (o governo não gastar mais do que arrecada).
  • Efetuar uma reforma tributária.
  • Atrair capital externo e investimentos externos diretos.

Quais são as pastas/setores que devem ser tratados de forma emergencial pelo novo presidente?

A pasta da Saúde possui demanda emergência desde sempre, parece que nenhum governo consegue dar prioridade e urgência para ela.

Uma reforma tributária pode favorecer as indústrias e até atrair multinacionais para se estabelecerem no Brasil, gerando maior número de empregos.

Quanto tempo será necessário para o Brasil recuperar seu poder de compra e venda?

Acredito que a pergunta não está formulada corretamente, mas penso que é o brasileiro recuperar seu poder de compra; isto ocorre através da queda da inflação. Mas para ter a percepção real, de sobrar dinheiro pode demorar até dois anos, se as ações começarem logo.

É possível apresentar um panorama da economia brasileira até o fim da campanha eleitoral?

Um panorama talvez não, um histórico sim, dos últimos anos e uma possível projeção acreditando que não haverá surpresas no mundo (como a Guerra da Ucrânia por exemplo).

O que esperar daquele que tiver o mandado aprovado em janeiro de 2022?

Essa é a parte mais difícil, pois estamos falando de dois populistas, que gostam muito mais de estar em campanha eleitoral, ao invés de discutir projetos de transformação para o Brasil e facilitar a vida dos Brasileiros.

Minha esperança está em que seja eleito o melhor projeto de gerar empregos para o Brasil. É através do trabalho, que o cidadão resgata sua dignidade. Estamos numa eleição muito polarizada, e o Brasil está engatinhando em sua maturidade política. Que cada brasileiro possa votar com sabedoria.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestra em ciências da linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo na mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.