Gasolina tem nova alta! Culpa é dos governadores, presidente ou Petrobras?

Pontos-chave
  • O preço da gasolina é composto por alguns itens;
  • A Petrobras alterou sua política de preços em 2016;
  • O câmbio tem afetado o preço a ser pago pelo consumidor nos postos.

Pela oitava semana consecutiva, a gasolina tem nova alta. Por conta do cenário atual, diversas autoridades têm atribuído responsáveis pelos aumentos recorrentes. Entre os citados, estão os governadores, o presidente Jair Bolsonaro e a Petrobrás. Entenda perspectivas sobre a possível responsabilidade pela alta.

Gasolina tem nova alta! Culpa é dos governadores, presidente ou Petrobras?
Gasolina tem nova alta! Culpa é dos governadores, presidente ou Petrobras? (Imagem: Tomaz Silva/Agencia Brasil)

O valor médio da gasolina comum permanece acima de R$ 6 por litro. Na semana passada, nos postos, o combustível estava a R$ 6,092 por litro. O levantamento foi feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), divulgado na última sexta-feira (24).

Na semana anterior, a gasolina custava R$ 6,076 por litro. Conforme a agência reguladora, o preço do combustível segue aumentando ininterruptamente desde a primeira semana de agosto.

Em comparação ao mês de janeiro, o valor da gasolina está 30% mais caro, conforme levantamento da Ticket Log. Essa pesquisa leva em consideração o valor identificado, nos postos, no início de setembro.

Desde o começo da pandemia de covid-19 — em março de 2020 — até agosto deste ano, o valor do litro da gasolina aumentou em 32,9%. Essa informação foi indicada pela ANP, compilada pelo núcleo de análise de grande volume de informações do Metrópoles.

Ao considerar esse período, o preço médio de revenda no Brasil saltou de R$ 4,46 para R$ 5,93. A unidade da Federação que teve o maior reajuste da gasolina foi o Distrito Federal. O valor do litro aumentou de R$ 4,77 para R$ 6,40. Todos os valores foram corrigidos pelo IPCA de agosto de 2021.

Composição do preço da gasolina

Para a formação do preço da gasolina, são considerados cinco itens: preço exercido pela Petrobras nas refinarias, incidência de anidro, os tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide) e estadual (ICMS), custo de distribuição e revenda.

Conforme coletado pela Petrobras, entre os dias 19 de setembro e 25 de setembro, as parcelas correspondentes a cada item são:

  • Realização Petrobras — 33,4%
  • ICMS — 27,7%
  • Custo etanol anidro — 16,9%
  • PIS/Pasep, Cofins e Cide — 11,3%
  • Distribuição e revenda — 10,7%
O consumidor brasileiro vem percebendo o preço da gasolina aumentar ao longo dos últimos meses
O consumidor brasileiro vem percebendo o preço da gasolina aumentar ao longo dos últimos meses (Imagem: Skitterphoto)

Gasolina tem nova alta: Perspectivas sobre o principal responsável pelo preço recente

No entendimento da pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Carla Ferreira, ao UOL, a parcela mais importante das elevações tem relação com os aumentos promovidos pela Petrobras.

Ela explica que os reajustes são reflexos da política de preços da estatal, que foi adotada em 2016. A diretriz vincula os valores praticados no Brasil ao preço do barril de petróleo no mercado internacional — que é cobrado em dólares. Como o dólar está alto, os valores no Brasil também passam a ser altos.

Ao G1, o analista da consultoria Tendência, Walter de Vitto, entende que o principal responsável pela elevação do preço do combustível é o câmbio. Ele explica que o petróleo já teve preço acima do registrado recentemente — e o combustível não tinha o custo igual ao atual.

Nesse sentido, a moeda brasileira vem apresentando desvalorização, diante das incertezas causadas nos investidores, por conta das questões políticas econômicas do governo atual.

Com relação ao ICMS, esse imposto estadual corresponde a quase um terço do valor total da gasolina. Vale destacar que as alíquotas variam de acordo com o estado. Contudo, recentemente, as alíquotas não tiveram aumento. Por outro lado, os consumidores vêm pagando preços maiores na gasolina.

Esse imposto é cobrado sobre uma estimativa de preço médio pago pelos consumidores. Ou seja, se o valor sobe nos postos, os governos estaduais podem elevar a estimativa de preço médio sobre o qual o imposto incide.

Desde fevereiro, mesmo que o preço pago em ICMS tenha aumentado, a participação no preço total da gasolina diminuiu. Em fevereiro, esse tributo representava 29% do total pago nos postos. Já em setembro, a Petrobras indica que o percentual tem sido de 27,7%.

De modo prático, as elevações nas refinarias têm impactado mais diretamente o valor final nos postos do que os encargos estaduais — como é o caso do ICMS.

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Silvio Souza
Silvio Suehiro Souza é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Possui experiência em produção textual e, atualmente, dedica-se à redação do FDR produzindo conteúdo sobre economia.
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