Desemprego entre mulheres negras tem taxa o dobro do que de homens brancos

A dificuldade de encontrar emprego para os negros é uma realidade que faz parte do contexto brasileiro há muito tempo. Porém, para as mulheres negras isso é ainda mais difícil, já que o país além de ser racista é patriarcal. Com isso, contribui para a alta taxa de desemprego nesse grupo.

Desemprego entre mulheres negras tem taxa o dobro do que de homens brancos
Desemprego entre mulheres negras tem taxa o dobro do que de homens brancos (Imagem: CNM/CUT)

O laboratório data_labe analisou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2017 a 2021 e “Pandemia na Favela” do DataFavela. A pesquisa constatou que o desemprego está relacionado com raça, gênero e território.

O laboratório de dados fica localizado na Favela da Maré (RJ) e o DataFavela é uma parceria do Instituto Locomotiva, da Central Única das Favelas – Cufa e da Favela Holding. Ambas as entidades tem como foco a realidade das comunidades.

Na análise também foi identificado que o desemprego entre as mulheres negras é o dobro se comparado aos homens brancos. Segundo cálculos da equipe do data_labe, a probabilidade de desocupação no primeiro trimestre de 2021 era de 9,2% para mulheres negras e de 5,6% para homens brancos.

Com isso, esse grupo, mesmo quando empregado, vive com o receio de ser demitido. Essa disparidade também é verificada ao comparar o número de empregos formais registrados para quem mora nas favelas e quem mora no “asfalto”.

Segundo a pesquisa Pandemia na Favela, o percentual de brasileiros empregados com carteira assinada é de 17% entre aqueles que residem na favela e de 31% no asfalto. Para o desemprego, o percentual é de 20% para o primeiro grupo e de 9% para o segundo.

Diante disso, a raça, gênero e território faz com que as mulheres negras das favelas estejam entre os grupos mais vulneráveis ao desemprego. Esse cenário gera ansiedade e faz com que problemas emocionais comecem a aparecer.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui três categorias de desempregados: desocupadas, desalentadas e subocupadas. O primeiro são aqueles que estão sem emprego e estão em busca de trabalho.

Os subocupados são os trabalhadores que realizam alguma atividade durante algumas horas do dia e, portanto, recebem um valor proporcional as horas exercidas. Por fim, os desalentados são os que não buscam por emprego.

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Glaucia Alves
Gláucia Alves, formada em Letras-Inglês pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Foi professora por 8 anos. Em 2020 começou a trabalhar como corretora de redação. Atualmente, trabalha na equipe do portal FDR, produzindo conteúdo sobre economia e direitos da população brasileira, além de realizar consultoria de redação on-line.
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