Auxílio emergencial reduzido coloca 61 milhões de pessoas na miséria, diz pesquisa

Redução no valor do auxílio emergencial amplifica miséria brasileira. Nessa semana, um levantamento feito pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), relevou que cerca de 61,1 milhão de pessoas estão vivendo na pobreza, com os cortes do coronavoucher.

Auxílio emergencial reduzido coloca 61 milhões de pessoas na miséria, diz pesquisa (Imagem: Marcos Rocha/ FDR)
Auxílio emergencial reduzido coloca 61 milhões de pessoas na miséria, diz pesquisa (Imagem: Marcos Rocha/ FDR)

Uma nova rodada do auxílio emergencial já está circulando por todo o país, mas isso não significa que toda a população de baixa renda foi inclusa. Neste ano, atendendo aos seus interesses orçamentários, o governo federal reduziu em 50% o valor das mensalidades do projeto.

Além disso, o número total de contemplados conta com 25 milhões de pessoas a menos, em comparação com 2020.

Pesquisa emitem alerta de extrema pobreza

De acordo com estudos desenvolvidos na USP, o Brasil vem alavancando seus números de pobreza, extrema pobreza e miséria. Mais de 80 milhões de pessoas vivenciam diariamente e fome e falta de direitos como moradia, educação e saúde.

Atualmente, a média da pobreza vem sendo medida de acordo com a renda mensal per capita (por pessoa) menor que R$ 469 por mês, ou seja, US$ 5,50 por dia. O critério de contabilidade é determinado pelo Banco Mundial, o que significa que o Brasil está entre os maiores índices de fome na América Latina.

Até 2019, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza era de 51,9 milhões. Desse modo, há 9,1 milhões de brasileiros a mais vivendo em situações precárias. Antes da pandemia a população extremamente pobre era de 13,9 milhões.

Cortes no auxílio emergencial

Na última semana, o governo federal passou a fazer os pagamentos do auxílio emergencial. O projeto seria responsável por reduzir as estatísticas acima, porém com os cortes em seu orçamento vem mostrando um efeito nem tão relevante quanto o esperado.

De acordo com a LDO adotada pelo ministério da economia, serão investidos cerca de R$ 44 bilhões no coronavoucher. Isso significa que a mensalidade foi cortada em torno de 50%, caindo seu valor máximo de R$ 1.200 em 2020 para R$ 375 em 2021.

Por fim, o governo não só reduziu o número total de contemplados, como também não incluiu todos aqueles que foram desempregados entre o fim de 2020 e o início de 2021.

O recebimento na atual rodada só será concedido para quem estava cadastrado desde o primeiro semestre do ano passado, quando foi iniciado o benefício.

 

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.