O que muda com a aprovação para nova margem do consignado no INSS?

Pontos-chave
  • Governo amplia teto do empréstimo consignado;
  • Solicitantes terão acesso a quantias ainda maiores;
  • Porcentagem é destinada exclusivamente para o cartão de crédito.

Margem do empréstimo consignado é alterada pelo governo. Na última semana, o senado aprovou um projeto de lei que tem como finalidade aumentar de 35% para 45% o limite de crédito a ser solicitado por servidores públicos e segurados do INSS. Diante disso, a população agora passa a ser acesso a valores maiores pelos bancos.

O que muda com a aprovação para nova margem do consignado no INSS? (Foto:Google)

O empréstimo consignado nada mais é do que uma linha de crédito onde o valor a ser cobrado é descontado diretamente do salário de seu contratante. Trata-se de um serviço bancário cujo o público alvo são servidores públicos ou aposentados e pensionistas do INSS.

Sua principal vantagem é que as taxas de juros estão entre as mais baixas do mercado. Por ter o valor cobrado diretamente descontado da fonte de renda do cidadão, os bancos operam com uma maior segurança financeira, permitindo assim uma redução nas tarifas extras.

Até então, para solicitar o crédito pelo empréstimo consignado era preciso calcular a média salarial recebida pelo titular, havendo um limite de comprometimento de 35% da renda. Porém, agora essa margem foi reajustada para 40% o que significa que repasses maiores passarão a ser concedidos.

Reajuste no empréstimo consignado

A decisão de ampliar o valor a ser solicitado foi tomada pelo governo federal sob a justificativa de que a iniciativa ajudaria esse grupo a enfrentar a crise econômica do novo coronavírus.

Os representantes políticos defenderam que com a limitação no crédito, a população estaria pagando taxas de juros maiores em outras modalidades bancárias.

Diante da aprovação do novo limite de 40% para o crédito consignado, o cidadão agora deve fazer os cálculos considerando que 5% dessa porcentagem permanecem destinados à modalidade de cartão de crédito consignado.

Relator do projeto no Senado, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) reforçou que a proposta não é a ideal para esse momento de crise, mas que foi a principal alternativa encontrada para garantir a rotatividade econômica desse grupo:

— Se o aposentado e o pensionista não tiver como buscar o consignado, iria recorrer à rede bancária e se endividar ainda mais. Não é o ideal, mas é o que se pode fazer.

O que muda com a aprovação para nova margem do consignado no INSS? (Foto: Google)

Redução nas taxas de juros

De acordo com o presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Warley Martins, a medida deve ser vista de forma positiva, tendo em vista os índices de desemprego e redução de renda dos brasileiros.

Ele diz que com as taxas de juros mais baixas, o momento pode ser propicio para o empréstimo, mas que é ainda preciso ter atenção para evitar o endividamento.

A maioria pega empréstimo para comprar remédios e comida, porque não dá para sobreviver com o que ganha. E é por isso que pedimos cuidado, senão depois o aposentado acaba tendo a aposentadoria muito reduzida com o pagamento das parcelas — explica.

Já o economista Alexandre Espírito Santo, afirma que o crédito reajustado é uma opção “bastante razoável” em comparação com os outros serviços financeiros ofertados no mercado. Ele ressaltar que se trata da modalidade com a menor cobrança a longo prazo, sendo benéfica uma vez em que o titular administra suas contas com cautela.

O ideal é que a pessoa não comprometa mais do que 25% ou 30% da renda com dívidas. É claro que estamos vivendo um momento atípico e grave, que mexe com a vida de todos. Muitos estão desempregados, e as famílias enfrentam dificuldades financeiras. Mas devemos cortar supérfluos e evitar gastos desnecessários.

Ciente da pauta, a Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País (Aneps) celebrou a decisão. Segundo o presidente, Edison Costa, agora a equipe da econômica deve trabalhar para garantir que a proposta se estenda para além da pandemia do novo coronavírus.

— Temos pouco mais de oito meses para intensificar as articulações em Brasília e apresentar um projeto consistente e legítimo. A aprovação da MP mostra que estamos no caminho certo.

Para mais informações sobre o empréstimo consignado acompanhe nossa página previdenciária exclusiva.

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Eduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco, formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguística, com foco na Análise Crítica do Discurso. No mercado de trabalho, passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de assessorar marcas nacionais como Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR, onde já acumula anos de experiência e pesquisas sobre economia popular e direitos sociais.