Desigualdade e pobreza marcam FIM do auxílio emergencial; quem ainda recebe em 2021?

Fim do auxílio emergencial deverá colocar novos 3,4 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza. Com o encerramento de seu cronograma, previsto para o próximo dia 27, o coronavoucher deverá marcar uma época de desigualdade e miséria no país. De acordo com as projeções do governo, não haverá uma extensão da proposta.

Desigualdade e pobreza marcam FIM do auxílio emergencial; quem ainda recebe em 2021? (Imagem: Google)
Desigualdade e pobreza marcam FIM do auxílio emergencial; quem ainda recebe em 2021? (Imagem: Google)
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Até o próximo dia 27, milhares de brasileiros serão contemplados com as parcelas finais do auxílio emergencial. Na reta final do programa, os contemplados são aqueles presentes no ciclo 5 e 6 que ainda não tiveram acesso ao saque em espécie do valor depositado no Caixa Tem em dezembro.

Isso significa que efetivamente não há um novo pagamento a ser feito de fato, apenas a manutenção do digital para o físico de quem já foi contemplado em 2020.

A expectativa é que a Caixa Econômica encerre todas as transições neste mês, o que significa que 3,4 milhões de pessoas ficarão totalmente desamparadas.

Pobreza e desigualdade em foco

Pesquisas realizadas pela Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), revelam que o número total de pessoas em situação de extrema pobreza, com o fim do auxílio, deverá ser de 17,3 milhões em 2021. O aumento deverá colocar o país no pior patamar de pobreza e fome desde o ano de 2012.

Sob o silêncio do governo quanto a implementação de um novo projeto de transferência de renda, o ex secretário dos ministérios da Cidadania e do Desenvolvimento Social, Botelho, afirma que:

“Se nada for feito, a política social vai continuar com a mesma potência que em 2019, mas em uma realidade completamente diferente. Durante a pandemia, as pessoas perderam a renda do trabalho. Com o auxílio, essa queda foi compensada, mas, como não há alternativa para 2021, podemos cair em uma situação pior do que antes. É como se o Brasil tivesse feito um ‘voo de galinha’ na redução da pobreza.”

No que diz respeito aos índices de desigualdade, os dados da FGV relevam que ela deverá aumentar em quase 10% neste ano. De acordo com o Índice de Gini (medidor da desigualdade, em que quanto mais próximo de 1, pior é a distribuição de renda), a Brasil estava com uma margem de 0,494 em novembro de 2020. Com o fim do auxílio o indicador passa a ser de 0,542.

Até o momento, não se sabe como será a atuação da gestão federal para conter os números da miséria social. O esperado é que seja feita uma reformulação no Bolsa Família, mas nenhum detalhamento e planejamento foi liberado.

Eduarda AndradeEduarda Andrade
Maria Eduarda Andrade é mestranda em ciências da linguagem na Universidade Católica de Pernambuco e formada em Jornalismo pela mesma instituição. Enquanto pesquisadora, atua na área de políticas públicas, economia criativa e linguagens. No mercado de trabalho, já passou por veículo impresso, sendo repórter do Diario de Pernambuco, além de ter assessorado marcas nacionais como a Devassa, Heineken, Algar Telecom e o Grupo Pão de Açúcar. Atualmente, dedica-se à redação do portal FDR.