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Brasil no mapa da fome novamente? Mesmo antes da pandemia do coronavírus, relatórios da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostravam que o número de brasileiros que passam fome já é maior do que toda a população do Uruguai.

Brasil no mapa da fome novamente? Entenda como a crise do coronavírus afeta o país
Brasil no mapa da fome novamente? Entenda como a crise do coronavírus afeta o país (Reprodução: Google)
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O relatório em questão foi publicado em 2019, na época o estudo apontava que o congelamento nos investimentos sociais, desemprego e corte nos beneficiados pelo Bolsa Família contribuíam para o avanço da pobreza no país.

Se a situação das famílias mais vulneráveis já estava ruim, a crise atual só piorou este cenário. A organização aponta que até o final de 2020 nosso país pode voltar ao mapa da fome da ONU.

O que é o mapa da fome?

Fazem parte do mapa nações com mais de 5% da população em pobreza extrema. Na prática significa dizer que a cada 20 pessoas uma está em situação de pobreza e fome.

O mapa é utilizado pela ONU e outras organizações para concentrar medidas e projetos para erradicar a fome no planeta.

O Brasil que já fez por muitos anos parte desta triste estatística, havia saído do mapa da fome em 2014.

Muitos programas criados em nosso país foram inclusive aplicados em outros países na mesma situação, comprovando o resultado que tivemos com medidas como: Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Fome Zero.

Estes foram exemplos de políticas exportadas para países Asiáticos e Africanos para combater situações parecidas de pobreza e fome.

Mudanças nas Políticas Públicas de combate à fome

Infelizmente a pobreza não é um problema estático, com o encerramento de diversos programas e investimentos sociais, somados à diversas crises econômicas e políticas, os números foram crescendo silenciosamente.

Com investimentos sociais cada vez menores, a chegada do novo coronavírus acabou criando ainda mais dificuldade para combater esta desigualdade social.

Com ainda menos empregos e dívidas cada vez maiores nos cofres públicos, a situação pode piorar muito até o final do ano.

A suspensão das aulas também pode significar um grande perda nutricional para as crianças mais pobres, já que a merenda escolar representava uma refeição muito importante.

Mesmo com a decisão do governo de permitir o repasse dos recursos da merenda para as famílias dos alunos, muitas regiões ainda não conseguiram efetivar esse pagamentos.

E mesmo para teve acesso, o valor é de cerca de R$ 50,00 por mês e dificilmente vai custear a mesma quantidade de refeições para as crianças mais carentes.

Auxílio emergencial pago durante a crise do coronavírus é suficiente?

Embora valor seja maior do que os R$ 200,00 propostos pelo governo inicialmente, as 3 parcelas de R$ 600,00 do auxílio emergencial, pago durante a pandemia do coronavírus, não serão suficientes para evitar o problema.

Levando em consideração a impossibilidade dos milhões de brasileiros informais continuarem trabalhando durante a quarentena, mais custos fixos e a alimentação dos filhos, fica claro que ainda não é suficiente.

O investimento total no programa também não foi prioridade para o governo federal, já que os R$ 60 bilhões utilizados no programa representam apenas 6% de tudo que já pagamos de impostos apenas neste ano.

Infelizmente essa realidade pode passar despercebida para a população em melhores condições, principalmente pela distância geográfica ou social, mas precisamos nos unir para combater esse velho inimigo brasileiro e não aceitar fazer parte desta triste estatística.

Mesmo em épocas de crise é função do Estado garantir os direitos fundamentais para a população, o combate à fome deve voltar a ser prioridade no orçamento público, assim como é prioridade no orçamento familiar.

Sabemos que mesmo sendo graves, a crise e a epidemia do coronavírus são passageiras. Não é razoável perder 6 anos de trabalho em uma área tão importante para o país, mas o que pode acontecer caso o Brasil termine 2020 com mais pobreza do que 2014.

COMENTÁRIOS

Sandro Campos possui bacharelado em Ciências e Humanidades e Ciências Econômicas pela Universidade Federal do ABC (UFABC). No mercado de trabalho, tem passagem pelo Banco Mercantil do Brasil, como gerente de relacionamento. Atuou também como assessor de investimentos no Itaú Personnalité e na XP Investimentos. Atualmente, trabalha como  Consultor Financeiro e dedica-se à redação do portal FDR.