Baixa dos juros e lançamento de fintechs instigam novas estratégias do Bradesco

Cada vez mais as fintechs estão se tornando presentes no dia a dia dos brasileiros, com isso os ganhos altíssimos dos bancos tradicionais, como o Bradesco, têm caído. Isso também tem relação com o fato dos juros alcançarem valores menores em níveis recordes.

Baixa dos juros e lançamento de fintechs instigam novas estratégias do Bradesco
Baixa dos juros e lançamento de fintechs instigam novas estratégias do Bradesco

Com a atual situação, o Banco do Bradesco criou estratégias para cortar custos e tentar ganhar uma participação maior no mercado, diversificando em cada um dos diferentes tipos de negócio da empresa.

Isso será feito já que a Selic que estava na casa dos 14,25%, em 2016, caiu neste ano para 5% e pode fechar o próximo ano, em até 4,5%.

Apesar da queda, a taxa ainda é mais alta que o dos EUA e os níveis negativos da Europa. Porém, se for descontado desse valor a inflação do país, a taxa fica próxima de 2%, reduzindo a margem de lucro dos bancos.

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Em entrevista ao portal Uol, o presidente do banco Octávio de Lazari, falou sobre a queda na taxa de juros.

“A gente nunca teve taxas de juros tão baixas no Brasil durante toda a minha vida,” disse Lazari em entrevista na sede da Bloomberg em Nova York. “Não sabemos o que isso realmente significa”, afirmou.

O presidente ainda acrescentou que o segundo maior banco do país, em valor de mercado, abriu mais de 1,5 milhão de novas contas neste ano.

Mesmo com essa alta na abertura de contas, o próximo ano pode não ser tão favorável aos bancos brasileiros. Os ganhos com juros e o crescimento de empréstimo pode ser pressionado, caso o Banco Central continue cortando as taxas e a economia do país não apresentar um crescente.

Apesar da fase ruim, os lucros do Bradesco ainda estão bem elevados, subindo 22% para R$ 19,2 bilhões até setembro deste ano. No ano passado o valor era de R$ 15,7 bilhões no mesmo período.

“Uma das prioridades do banco está no empréstimo para as pessoas físicas, principalmente para o crédito imobiliário, no qual o banco registrou um aumento de 16% em 2019. Os empréstimos para a compra de automóveis tiveram alta de 18%, de acordo com o banco, que tem cerca de 80 analistas usando big data para coletar e analisar informações sobre clientes, incluindo classificações de risco de crédito. Isso ajudou o Bradesco a acelerar o ritmo de expansão de empréstimos ao consumidor em 24% este ano”, disse Lazari.

O presidente analisou que cada vez há menos necessidade das agências físicas. Ainda, segundo ele, os números apresentados não incluem o Next, o banco digital criado pelo Bradesco. Esse banco abre cerca de 8.000 novas contas, por dia.

Já no negócio de pagamentos com cartão de crédito, a maior acionista da processadora de cartões Cielo AS, está por trás de uma verdadeira guerra de preços para tentar vencer a concorrência com empresas de tecnologia, Pagseguro Digital e StoneCo.

“É um negócio vital por causa dos clientes corporativos”, admitiu Lazari, que está à caça de pequenos e médios comerciantes para incrementar a venda de máquinas de cartão, estimada em 1 milhão somente em 2019.

“Meu maior desafio é criar muitos ativos para o banco que nos proporcionem pequenos ganhos. Não há mais bala de prata”, concluiu.

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Jheniffer Freitas
Jheniffer Aparecida Corrêa Freitas é formada em Jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. Atuou como assessora de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e da Secretarial Estadual da Saúde de São Paulo. Há dois anos é redatora do portal FDR, onde acumula bastante experiência em produção de notícias sobre economia popular e finanças.